quarta-feira, março 22, 2017

o Mundo está cada dia mais assustador

E o que fazemos nós? Deixamos de viver ou arriscamos a sair da "nossa gruta"? E quem tem um trabalho que obriga a viagens constantes? e quem trabalha lá fora? e deixamos de visitar amigos que vivem em outras capitais europeias? acaba-se com os programas de Erasmus? 

Não sei para onde caminhamos mas o futuro assusta, assusta muito!

Boa tarde


Maggie

domingo, março 19, 2017

porque há mulheres interessantes que interessa conhecer melhor, as sugestões literárias



Num país sem tradição memorialística, no qual as poucas obras que existem representam a justificação de acções pretéritas, Maria Filomena Mónica procura apresentar a sua vida sem glorificações nem lamúrias. Não presume fornecer a Verdade, mas apenas a sua verdade: outros terão olhado as pessoas, os acontecimentos e as peripécias de que aqui nos fala de forma diferente. Num país conservador, católico e hipócrita, o tom cru deste livro poderá chocar. Mas a intenção da autora não foi essa, mas sim a de tentar perceber, e dar a perceber, uma vida, uma família e um país, entre 1902, data do nascimento da sua avó, e 1976, o ano em que, após uma estadia no estrangeiro, regressou a Portugal.


É provável que eu morra nos próximos dez, quinze anos. Tenho filhos e netos, amei e fui amada, escrevi livros, ouvi música e viajei. Poderia dar-me por satisfeita, o que não me faz encarar a morte com placidez. Se amanhã um médico me disser que sofro de uma doença incurável, terei um ataque de coração, o que, convenhamos, resolveria o problema. Mas, se isso não acontecer, quero ter a lei do meu lado. Gostaria que o debate sobre as questões aqui abordadas, o testamento vital, o suicídio assistido e a eutanásia, decorresse num clima sereno. Mas teremos de aceitar a discussão com todos os opositores, mesmo com aqueles que, por serem fanáticos, mais repulsa nos causam. Que ninguém se iluda: a análise destes problemas é urgente. 


Há muitos livros sobre a pobreza: sobre as suas causas e sobre a forma de a combater. Alguns são certamente interessantes, mas não era sobre a pobreza em abstracto que a autora desejava escrever, mas sobre os pobres tais como ela os «descobrira», aos 16 anos, num bairro da lata onde as freiras do colégio que frequentava a levaram para que as meninas ricas, grupo a que pertencia, aprendessem a ser caritativas. O livro não se limita a falar dos pobres em Portugal. Outros países são referidos, tendo no final a autora concluído existirem quatro tradições no que a este problema diz respeito: a católica (Portugal), a jacobina (França), a aristocrática (Inglaterra) e a meritocrática (EUA). Apesar de baseada numa bibliografia longa, a obra tem um tom intimista, o que torna a sua leitura fascinante.

Na Fnac.


Boa tarde


Maggie

diz que é Dia do Pai

E o dia começa cheio de imagens de todos com o Pai. No Facebook e nos blogs também. Elogios, trabalhinhos da escola e frases feitas. Hoje o dia é dos melhores pais do mundo, melhor, hoje é o dia em que qualquer Pai é elevado a melhor Pai do mundo. As lojas fazem promoções para o Dia do Pai. Hoje é dia de visitar os pais doentes, hoje é dia de levar os Pais sãos a almoçar fora. Hoje é dia de se dar beijinhos ao Pai. Hoje é dia, porque amanhã já passou. Aproveitem Pais, tenham um dia feliz.

Feliz Dia do Pai

Maggie

na Zara, (baratinhas)




Bom dia


Maggie

sábado, março 18, 2017

do saber envelhecer

(foto do meu instagram)

Sento-me ás 15:00 no cabeleireiro, vou para pintar o cabelo e deixa-lo esticado, são 2 horas sem filhos, são 2 horas para mim, para sossegar, para descansar. A Maria vai colocando a tinta no meu cabelo enquanto fala com uma cliente que espera a sua vez. Falam de uma D. Carolina, senhora na casa dos 60 anos à beira de uma depressão (acham elas), porque não aceita que o tempo passa e deixa marcas. Está velha e não vive bem com isso. Lembro-me da minha mãe, também se queixava do envelhecimento, dizia que depois dos 60 anos era um choque, (faleceu aos 62 anos). A minha mãe também "sofria"com o envelhecimento, também se queixava muito. Eu troco umas impressões com a Maria, passamos as duas dos 40 anos, eu faço os 42 em Junho e a Maria já os tem. É fácil em teoria dizer que sim, que sabemos que vamos envelhecer, que temos que nos habituar à ideia, que a vida é mesmo assim, mas claro, ainda não chegámos aos 60 anos. Acredito que seja duro. Despeço-me da doce Maria e venho para casa com a D. Carolina na cabeça. Chego a casa e continuo agarrada aquela conversa. Lembro-me que tenho rugas nos olhos e ao pé da boca, vejo que tenho a pele com mais manchas, vejo que o peso se mantém na mesma (estou pesada), mas o que me incomoda mesmo á o ar pesado, a cara carregada mesmo quando me sinto muito feliz. Fiquei assim quando fiquei sem a minha mãe, sinto que envelheci uns 10 anos. Foi se a frescura da juventude, foram-se as preocupações fúteis, fiquei eu com o peso do choque e a dor que ficou colada a mim e que se nota quando olho ao espelho. Está lá nas fotos a lembrar-me que isto do envelhecer também tem a ver com a vida que vamos tendo. Com as dificuldades, com os sustos que apanhamos, com as opções que não fazemos, com a vida que nos vai calhando todos os dias. Ainda não chegámos aos 60, eu e a Maria, mas somos prudentes e ficamos solidárias com a dor da D. Carolina. É preciso saber envelhecer e aceitar isso, eu e Maria concordámos que a psicologia podia dar aqui uma ajuda mas nem se ouve falar disto. Os Centros de Saúde não encaminham para psicologia casos de Senhoras como a D. Carolina. Há psicóloga no Centro de Saúde para as consultas do aborto mas para ajudar na aceitação do envelhecimento, não. É pena, é uma falha!

Boa noite


Maggie