quinta-feira, dezembro 05, 2013

Quem conhece uma mãe puxa saco? eu conheço algumas ;)


As mães puxa-saco

Estão sempre impecáveis, não há bolsado que as apanhe em falso. Nem aos filhos. Sacam mais rápido da Dodot do que o Lucky Luke da pistola.
Assim que me tornei mãe, passei a enfrentar a existência de outras mães. E essas outras mães têm sempre um conselho grátis para dar. Se lhes fizer uma pergunta simples, como qual foi o último livro que leram, elas vão-me responder que leram o folheto do supermercado e que devia ir lá rapidamente aproveitar a promoção de 50% nas fraldas. E eu vou.
São as mães puxa-saco. Acham, e não se coíbem de mo dizer, que o pediatra delas é o melhor de todos, questionam as orientações do meu e fazem comentários que sugerem sempre que elas sabem mais que eu. Acerca da minha filha. Vou ali beber um copo de água e já volto.
De repente, para onde quer que me vire, tropeço numa mãe puxa-saco. Estão sempre impecáveis, não há bolsado que as apanhe em falso. Nem aos filhos. Sacam mais rápido da Dodot do que o Lucky Luke da pistola. O cocó dos seus bebés não chega sequer a assentar na fralda, pois um rabinho assado é uma mancha na carreira maternal. E parece que engoliram os resultados de pesquisa do Google sobre tudo o que tenha que ver com b-e-b-é-s. Sair da regra foi o único módulo que não tiveram no curso de preparação pré-parto.
São boas, de facto. Muito boas. Mas necessitam de papaguear tudo o que sabem e querem angariar discípulas entre as recém-mamãs, a quem possam ensinar a cartilha maternal. E eu, atarefada como ando, não tenho saco para andar na catequese a cumprir calendário. Basto-me a mim própria para me encher de excesso de informação.
Penso que estas mães exemplares desejam somente sentir-se valorizadas pelo esforço que fazem para cumprir. Sim, cumprir. As regras, os horários, as tarefas, a ordem natural das coisas como elas devem ser nos livros e, depois, na cabeça delas. E, convenhamos, seguir todos os mandamentos da maternidade exemplar é algo louvável, fruto de um empenho digno de poucas. Portanto, celebremos as Mães Exemplares, segundo os preceitos destas, cujo alcance é minoritário. Temos é de brindar com sumo. Sem açúcar.
Gostava de ter essas qualidades e tropeçar em mim própria, isto é mesmo inveja. Até porque me facilitaria em muito a vida. Mas não tenho saco para ser puxa-saco. Nem tenho esta rigidez elementar ao sucesso. Porque operacionalizar um bebé – leia-se um bebé que come sem fazer nódoa, dorme sem chorar e repete a gracinha que pedimos – é bastante confortável e civilizado, mas sobra depois toda a educação emocional e moral que é muito mais difícil de ensinar porque, lá está, ao contrário da nódoa, não se vê. 
– Querida, vem aqui à mãe para te limpar a consciência com uma Dodot.
A educação do coração não se ensina com listas de tarefas nem horários. Educar um coração bebé a bombear sentimentos exemplares não vem nos livros. Vem talvez nos intervalos da vida, que acontecem quando não se está ocupada a cumprir o manual infantil. Nem a negar evidências: ‘O meu filho mordeu outro bebé na creche? Impossível, ele não tem dentes!’ 
Por outro lado, não sei se lhes identifico – à maioria dessas mães – grande acréscimo de felicidade. Porque, de facto, a perfeição pressupõe um nível de exigência que não pode fazer bem a ninguém. Nem à mãe, nem ao bebé. É um dar tudo aos filhos e aos ‘outros’, mas quem paga a conta no final são elas próprias. Que já nem sabem bem quem são. Têm-se apenas e tão-só como mães. Portanto, chamar ‘puxa-saco’ a estas mães é a maior das ignorâncias,mea culpa, uma vez que é somente o sustento da sua espinha dorsal.
Parabéns. Pela disciplina. Pela tenacidade. E pelo amor que têm pelos filhos, pois acredito que esta obsessão na filiação mais não seja que uma das expressões do amor. Porque é preciso muito altruísmo para uma pessoa se ver livre de si própria. 
(tirado da revista life&style do Publico)
Gosto desta Sofia, tem uns textos que não agradam a todas é verdade, mas mantém-se fiel ás suas ideias e não desarma, adoro gente assim. 

Bons dias
Maggie

1 comentário:

Anónimo disse...

e qjueme screveu isso é invejoso