quinta-feira, fevereiro 20, 2014

promover a autonomía das crianças


Aqui há uns tempos a Professora da minha mais velha dizia-me que os miúdos hoje em dia são muito "atados", demasiado dependentes e nada "desenrascados". Concordei com ela mas não enfiei a carapuça, as minhas filhas são miúdas desenrascadas, aqui não se promove a Exma Sra Criança, aqui em casa uma criança é uma criança, não é um pequeno lord. Desde bem pequenas que por irem na carrinha da escola estão habituadas a tomar conta das suas coisas e contam-se pelos dedos de uma mão as vezes que se esqueceram de um boneco na escola, de um casaco, ou de qualquer coisa que tenham levado de casa. Todos os dias carregam a sua mochila, casaco e tudo o que quiserem levar extra, e eu gosto de as ver crescer assim. Infelizmente nos dias de hoje é cada vez mais difícil dar-lhes autonomia porque com tanto centro comercial acabaram-se muitas lojas de bairro onde seria possível manda-las fazer recados. Lembro-me que eu com a idade delas ia á mercearia comprar alguma coisa que estivesse em falta, também ia comprar tabaco e vinho para a refeição ao meu pai numa tasca que havia em frente, mas era tudo na minha rua. A minha mãe ficava a ver-me pela janela e eu lá ia de carteirinha na mão a contar as moedas para pagar e a lembrar-me que tinha que trazer troco. Hoje já ninguém faz isto, não vejo miúdos a fazer estes recados, infelizmente aqui na rua não há mercearia para as poder mandar, e tenho pena. Lá lhes vou dando asas na tabacaria quando querem alguma coisa e nos cafés, vão lá elas perguntar se têm, se há, quanto custa … e eu fico á porta. Também reparo que nas lojas as pessoas parecem assustadas com a presença delas, como se não fosse normal miúdas de 7 anos irem comprar cromos da Violetta, ainda se fossem comprar tabaco para o pai compreendia-se mas cromos? ontem aconteceu-nos isso. Elas entraram na tabacaria pediram a caderneta da Violetta e os cromos e vejo a Sra da papelaria olhar em volta á procura de um adulto responsável por elas. Hoje voltou a acontecer o mesmo numa outra tabacaria. A Maria foi para a fila com o dinheiro para os cromos e eu fiquei de lado a olhar para as capas das revistas. Assim que chegou a vez da minha filha a sra que estava a atender primeiro tentou ignorá-la, depois quando percebeu que ela não estava sozinha (depois de eu onde estava ter dito: diz á sra o que queres Maria), lá fez um esforço para atender a miúda, como se uma miúda de 7 anos fosse menos do que qualquer adulto. Os miúdos de hoje não costumam ir sozinhos comprar nada por isso do outro lado já não estão habituados a vê-los chegar ao balcão e pedir. Também notei o mesmo no Verão com a compra de gelados, elas iam sozinhas comprar e muitas vezes olharam para nós á espera de aprovação. Sinceramente acho que crianças de 7 e 8 anos podem fazer pequenos recados sim, não lhes faz mal nenhum e elas até gostam. Acabam por ser até bem mais educadas do que quando vão com os pais.


Maggie

5 comentários:

ana disse...

Acho muito bem que façam essas coisas e não me aprece nada estranho. Aqui vejo com alguma frequência crianças sozinhas, por ex., na padaria. Com as minhas nunca consegui fazer isso porque são muito envergonhadas, mas insisto sempre, lá há de chegar o dia. Na escola fazem tudo, até saem para ir às gomas, mas com os pais por perto é mais complicado.

Anónimo disse...

Hoje em dia o mundo é diferente e mais perigoso, por isso as crianças não andam livres na rua e nas lojas sozinhas como antigamente. É lamentável mas temos de viver o hoje.
Quanto a ir comprar cromos ou qualquer outro brinquedo as funcionárias das lojas não podem vender coisas a crianças de 7 anos como se fosse um adulto. Essa criança tanto pode estar com a mãe, como pode estar sozinha (e a ser vitima de negligencia) como pode estar perdida, ou ter tirado dinheiro aos pais sem autorização.
É normalíssimo os funcionários olharem em volta à procura dos pais ou perguntarem à criança se está sozinha, porque uma criança sozinha seja onde for, não é normal. Se por acaso a sua filha se perdesse no shopping e como é desenrascada não se ralasse com isso, e decidisse passear pelo shopping enquanto procurava por si, entretanto decidisse ir a uma loja gastar algum dinheiro que tinha no bolso, você como mãe gostava que as pessoas que cruzassem com ela questionassem o porque de estar sozinha e a socorressem. Não, não se pode simplesmente considerar normal uma criança aparecer sozinha numa loja.

Maggie disse...

Estamos a falar de lojas de bairro não de lojas de shopping, estamos a falar de lojas onde as conhecem e obviamente eu estou á porta.
Não estou a falar de lojas de centro comercial e as minhas miúdas não andam com dinheiro, além de que se deixassem de me ver entrariam em pânico, qual é a criança de 7 anos que se passeia descontraidamente quando se perde dos pais no shopping? eu não conheço uma que fizesse isso. Ser desenrascada não significa ser irresponsável são coisas bem diferentes.

Bjos
Maggie

ana disse...

O mundo ser mais perigoso hoje serve de desculpa para todos os comportamentos excessivamente protetores dos pais! Se calhar é muito mais perigoso mas é dentro de portas, com nets e afins, e não tanto na rua como se gosta de dizer. Basta ver as histórias mirabolantes de crianças raptadas em centros comerciais...todas falsas, mas a semear o pânico. Até o hipermediático caso da Maddie aconteceu dentro de portas e não na rua.
Aqui na minha cidade as crianças andam sozinhas na rua sim, já no 1º ciclo as que viviam perto da escola iam a pé sem adultos (as mais velhinhas) e as do 2º ciclo vão em grande número.
As minhas não podem ir a pé para a escola, mas vão para a catequese sozinhas e, na hora de almoço, às vezes saem para ir à pastelaria ou à casa das gomas.
Quanto às compras, não vejo nada de estranho numa criança comprar uns doces ou uns cromos, vê-se logo que está um adulto ou perto ou não?
Mete-me confusão esta mania do "mundo é perigoso". Pois é, mas o perigo está onde as pessoas muitas vezes se recusam em vê-lo.

Paula disse...

Confesso que andava um tanto distraída em relação às tarefas domésticas. A mais velha arrumava os seus brinquedos e a mesa de trabalho e pouco mais. Graças ao teu post já a pus a fazer a cama dela e a ajudar o irmão a fazer a dele. Até correu bem. E ela ficou feliz. O que eles gostam mesmo é de ajudar na cozinha mas eu já não gosto tanto. Gosto muito de cozinhar sozinha mas quando ela se oferece nunca recuso. O mais novo também adora (des)ajudar na cozinha. Arrumar é que nenhum gosta. Vão arrumando e refilando ao mesmo tempo.
Bjs
Paula