sexta-feira, fevereiro 07, 2014

Quantas Marianas conhecemos?


A Mariana é uma menina que está na sala da minha Clementina, está lá mas não estuda, não estuda porque não quer, porque não lhe apetece, porque anda perdida, porque não tem amigos, porque ninguém quer brincar com ela, porque dizem que é má, porque se sente sozinha e não aprende nada! A Mariana tem os pais fora do país e foi deixada ao cuidado de avós, não sei se são velhos ou se são novos mas não estão a dar conta do trabalho que é cuidar da neta, Ahhh, e parece que há uma tia que ajuda, mas pelos vistos não ajuda o suficiente. Não sei o que vai ser da Mariana, mas sei porque me conta a Maria todos os dias que vai de mal a pior, e só consigo imaginar que deve ter muitas saudades dos pais, ou isso ou já lhes tem uma raiva e um ódio de a terem deixado tão só. Não gosto de a ver sozinha, corta-me o coração, não gosto de ouvir os relatos dos seus disparates contados pela minha Maria Clementina, e custa-me olhar para ela e vê-la com um ar normal quando deve estar a doer-lhe tanto por dentro. A Mariana já fez anos este ano lectivo e não teve bolo, nem os avós nem a tia apareceram com um bolo de aniversário, e ela acreditava que alguém havia de lá ir ...
Quando a minha mais nova me contou que a Mariana foi mandada sair da aula, e quando a professora a foi espreitar ao fim de uns minutos e ela estava feliz e contente a brincar nos baloiços, só me deu vontade de rir, boa Mariana assim é que é ! (isso lá é castigo? um parque inteiro só para ti!)
Eu vou acreditar que os pais da Mariana estão a chegar ...


Bom dia

Maggie

15 comentários:

Carla disse...

Olá minha querida. A emigração é muito complicada porque exige um período de adaptação para todos. Para os que partem e para os que ficam ( sei isso por experiência própria). No entanto, o dinheiro não compra tudo, e sobretudo a felicidade de um filho. Por isso; quando deixamos Portugal NUNCA colocamos sequer a hipótese de não trazermos a Matilde. E, para mim, foi a única decisão que poderíamos ter tomado. Beijinhos

Maggie disse...

olá Carla este tema é complicado e claro que todos temos a nossa opinião mas na realidade não sabemos a vida de cada um, por isso este post centra-se apenas na tristeza da Mariana. Claro que vocês fizeram lindamente em ir todos mas acredito que nem sempre seja possível. Por aqui havemos de ir um dia destes também, o pai vai primeiro e nós iremos lá ter assim que elas estiverem inscritas numa escola lá e uma casa para nos receber, é o que temos combinado.
Desejo-vos a maior sorte e fico feliz sempre que vejo as vossas fotos, estão juntos e felizes e isso é o ideal. E para a Matilde crescer num país com tanto para dar (culturalmente) é muito bom.
Beijinhos

Maggie

Carla disse...

Claro que cada caso é um caso e cada um toma as decisões que achar melhor e , nem sempre, os países de acolhimento permitem que a família vá logo toda junta de uma vez. Mas para mim, e como tu sabes que a Matilde é o meu grande milagre, eu nunca viria sem ela. Nem que para isso viesse o meu número marido primeiro. Mas longe de mim criticar as opções de cada um...
Beijinhos,
Carla

ana disse...

Claro que essa criança há de estar a sofrer e muito...sem julgar a vida dos outros, deixar os filhos para trás deve ser a ultimíssima opção, mais vale ficar cá um dos pais a aguentar o barco. Na minha geração, conheço amigas que tb foi assim, ficaram com tios e avós e não há uma que não sinta ressentimento até hoje, por muito bem que tenha sido tratada. Inevitavelmente, a ligação mais forte é com quem cuidou e não com quem vinha de férias e mandava dinheiro.
Contudo, desculpa, mas mais uma vez não entendo esse colégio - mandar uma criança de 1º ciclo para a rua, assim, para ficar sozinha no parque? não entendo mesmo. Nas escolas públicas que conheço isso não se passa, a criança se é expulsa da sala fica obrigatoriamente num outro espaço, ao cuidado de alguém. No 1º ciclo era raríssimo acontecer, mas se acontecia ficavam com as funcionárias ou iam para outra sala de aula (era uma escola pequena, a disciplina era assunto de todos). No 2º ciclo, quando o aluno é mandado para fora da sala, levam um papel do professor para entregar ao outro professor que vai tomar conta dele (na biblioteca ou na sala de estudo. Este professor tem lhe dar tarefas e assinalar na dita folha o que fez e como se portou, para depois a diretora de turma registar a ocorrência.

Maggie disse...

Não Carla, não senti que foste critica. Infelizmente quando faltam os pais é sempre um vazio que fica nas crianças, mesmo as que ficam bem entregues.
Eu também não largo as minhas, nunca. Eu sei que ninguém olha por elas tão bem como eu que sou a mãe, por mais que ralhe, que me aborreça, que me enerve, elas sabem que sou exigente porque gosto delas. E lá volto ao mesmo: mãe é mãe!

Beijinhos

Maggie

Maggie disse...

quando há casos destes, felizmente raros os meninos não vão obviamente para a rua, são convidados a sair da sala a ir beber um copo de água ou a ir lá fora 5 minutos para acalmar. Esta pequena não respeitou os 5 minutos e perdeu-se entre brincadeiras nos baloiços, claro!

bjos

Maggie

Vidas da Nossa Vida disse...

E as professoras não falam com os pais, não tentam uma solução? Coitadinha da miúda. O que lhe deve ir na alma. Que alguém a acarinhe e que lhe mostrem que não está sozinha no mundo.

Mary disse...

Jamais deixaria um filho para trás sozinho...Sim porque sem pais, irmãos, está sozinha essa criança, por mais que os avós e tia sejam família, sabemos que a nossa família e aquela que não nos deixa sentir na solidão são os nossos pais! E logo os dois? Hoje em dia penso que essa situação já acontece muito pouco, vai um e o outro fica.
Infelizmente também conheço muitos casos desses duas são amigas minhas... Há uma que foi deixada para trás com os avós e os pais entretanto tiveram outra filha e essa ficou por lá, e a minha amiga sempre cá à espera, havia sempre a desculpa da escola para não ir, só foi aos 18 anos, mas logo veio embora porque não conseguiu olhar nos olhos dos pais. Hoje para ela os pais são os avós, e não se relaciona com os verdadeiros pais, tem uma relação muito fria e irrecuperável.

Mary disse...

Situações muito complicadas, que nem podemos criticar porque não sabemos o que está a se passar nessa família.
Mas a menina não está feliz, e a escola tem de ter um papel importante nesta situação.
Na escola do meu filho, que é pública, estamos neste momento a viver problemas com um menino, e a escola está muito activa nesta situação, arranjou assistente social, um médico pedopsiquiátrica para a criança. A mãe não gostou muito, mas a criança não está bem e tem conversas muito estranhas com a professora e meninos, em que a professora e a direcção tiveram de tomar medidas.

Marta disse...

Mas ninguém avisa os pais?? É muito grave uma criança estar nessa situação, pois está a ficar psicologicamente doente.
Tenho a certeza que qualquer mãe sabendo disso viria a correr no primeiro avião! Custa-me acreditar que uma mãe a saber da filha assim, não fizesse nada, não viesse a correr.
Eu viria, nem que tivesse de comer só sopa todos os dias.

ana disse...

Ainda assim, não acho correto que a professora tenha mandado a criança para fora da sala e a tenha deixado sem supervisão. Se fosse numa escola pública caía o carmo e a trindade...
Essa criança precisa de apoio e certamente num colégio haverá mais recursos...digo eu...

Maggie disse...

eu só conheço a Mariana pelas histórias que a maria conta em casa, não sei se não está a ser seguida pela psicóloga da escola, se calhar está. E claro que a esta altura dos acontecimentos a escola já contactou os responsáveis pela Mariana, só as notas que ela teve no 1º período já são sinal de alarme. Resta saber quanto tempo vai levar até estes pais aparecerem, porque os avós não são pais e a tia há de ter a vida dela. qualquer dia já ninguém tem mão nesta miúda.
e isto é triste, ela só tem 6 anos.
Maggie

ML disse...

Não sei da nada "desta" Mariana que falas, mas doeu-me o coração só de te ler e de imaginar o que pode estar a sentir essa menina... :(

vera disse...

Não conheço os contornos desta história, não vou aqui julgar se a menina foi abandonada ou não.
Só acho que a comunidade escolar podia estar atenta e certificar-se que a menina tinha um bolo no dia do seu aniversário.
Castigá-la, acho péssimo. Só vai fomentar a raiva e a incompreensão.
Dediquem-se a fomentar a amizade e a entreajuda entre os colegas e façam essa menina um bocadinho mais feliz.

Lisa disse...

Posso imaginar o sofrimento dessa criança mas creio que o facto de os avós e/ou tia não estarem a ajudar neste processo dificulta ainda mais para a menina esta adaptação à nova realidade familiar. Eu tive que emigrar e infelizmente tive que deixar o meu filho em Portugal. Claro que desejava tê-lo trazido logo comigo mas seria impossível e em nada o ajudaria. Felizmente os meus pais sempre me apoiaram e apoiaram muito bem o meu filho, gastei dinheiro em telefonemas, em cartas e falava a toda a hora no skype para encurtar a distancia. Não foi fácil mas felizmente na escola nunca notaram que ele estava sem mim, apesar de o saberem. Felizmente já o tenho aqui comigo e espero que a Mariana possa estar de novo reunida com os seus pais e feliz.