sábado, março 01, 2014

se calhar já fui de esquerda


quando eu era miúda e morava com os meus pais. Reivindicava tudo, protestava muito e sonhava pouco, ou melhor conformava-me com uma vida que hoje não me parece que alegre alguém. E fazia listas do que queria para a minha vida, lembro-me que sempre quis casar e ter filhos e ter uma profissão que me agradasse. Nunca sonhei ter uma casa grande, para mim um T2 para um casal com 2 crianças era o suficiente, apesar de eu ter passado a minha vida de miúda num T3 espaçoso. Também nunca sonhei ter empregada, eu achava que dava conta de tudo, achava que se vivia bem sem empregada domestica, não sei sequer de onde tirei esta ideia já que lá em casa sempre houve mulheres a dias. Engraçado nas minhas brincadeiras de miúda ter uns 5 filhos a berrar a toda a hora e todos ranhosos também nunca me fez confusão nenhuma, nem me fazia taquicardia! Ter uma casa com jardim também nunca entrou nos meus sonhos nem nas minhas brincadeiras, nem ter um bom carro, nem animais de estimação, isso eram tudo coisas de que eu não precisava. Só não dispensava escolas como deve ser para os meus filhos, tudo o resto inclusive fazer diariamente a viagem de barco Barreiro-Lisboa com 5 filhos a reboque era uma vida simples e que parecia não me incomodar. Não me lembro de querer roupas e malas caras, coisas que a minha mãe tinha, nem cremes maravilhosos, a minha mãe usava uns da Ayer com um cheirinho para lá de bom, nem sonhava com casas de férias com piscina, nem com viagens, ou escapadinhas românticas, … era uma miúda e para mim as brincadeiras tal como a vida eram simples, demasiado simples.
Se calhar já fui de esquerda (agora estou mais exigente), e depois dos 30 comecei a virar á direita, isto da esquerda deve ter sido influencia das temporadas que em miúda passava no Barreiro comunista na casa dos meus avós, agora com a idade preciso de muito mais do que um amor e 5 filhos a berrar e todos ranhosos!
Engraçado, em miúda sonhava e brincava exactamente com o oposto daquilo que tinha e agora com a idade acho que sou mais parecida com os meus pais do que aquilo que eu pensava ...


Maggie

7 comentários:

ana disse...

Desculpa, Margarida, mas não fazes mesmo ideia nenhuma do que é ser de esquerda. Aqui dás a imagem de uma dondoca de cabeça vazia - o que não és. Desculpa sinceridade, mas não gostei mesmo.

Flor Guerreira disse...

Não te imaginava assim! :)

Maggie disse...


eu sou assim um víbora, ha ha aha Agora mais a sério, esta é só uma das minhas mil e uma facetas, não faço mal a uma mosca não se preocupem!
Bjos
Maggie

Ahhh e acrescento que não sou dondoca nem cabeça vazia, apenas não devo nada a ninguém e por isso escrevo o que me passa pela cabeça, não tenho contratos para escrever sobre certos assuntos ou produtos

Rita_in_UK disse...

Acho que estás a confundir ambição com convicções políticas e acho que tanto à direita como à esquerda tens gente ambiciosa. Associo mais os 5 filhos ranhosos a famílias de direita muito católicas do que a comunistas. Ainda bem que superaste as tuas expectativas de criança :). De qualquer forma, é possivel ser feliz com muito menos que carros bons e cremes caros. São opções. Eu não tenho filhos ranhosos (sabes disso :)) tenho piscina em casa, viajamos bastante, mas uso cremes de supermercado, levo almoço para o escritório quase sempre e tenho dois carros recentes mas perfeitamente vulgares. Há coisas em que não me apanham mesmo a gastar mais do que a conta. Tenho as minhas prioridades e acho que cada um tem as suas, mesmo no meu círculo de amigos mais próximo. Se seria feliz a andar de transportes e a viver num T2... Custa-me a "visualizar", mas se estivéssemos todos juntos e com saude... Acho que sim. A nossa vida já deu tantas voltas que nunca digo desta água não beberei! Olha, e a minha mãe tambem ia ao Ayer, mas era um cabeleireiro, nunca lhe vi cremes dessa marca. bjinhs

ana disse...

Eu não disse que eras dondoca de cabeça vazia - disse que este post transmite uma imagem de ti que não faz justiça à pessoa sensível e inteligente que pareces ser. Sei que escreves o que te apetece, mas pensa um bocadinho nessas mulheres cuja vida retratas tão...desdenhosamente. Ainda bem que a vida te tratou bem, ainda bem mesmo, mas a felicidade tem muitos rostos, não precisa de vir embrulhada em cremes caros e roupas de marca.
E ser de esquerda não é ser pobre ou remediada. Estás a confundir tudo.

Anónimo disse...

Eu li isto? Por amor da santa, pense antes de publicar o que escreve!

Maggie disse...


Ohhh minhas amigas estamos a falar de coisas diferentes sim, este post é sobre as brincadeiras que eu tinha em miúda influenciada pelo convívio com famílias comunistas que viviam no Barreiro de há mais de 30/35 anos. Não estou a falar da esquerda intelectual nem da esquerda dos dias de hoje. Falo das famílias que eu conheci, que trabalhavam nas fabricas da CUF e mais tarde na Quimigal, inclusive de alguns tios avós. Isto de se ler coisas soltas causa logo celeuma e más interpretações. E já agora, nesta casa mora gente que arregaça as mangas e trabalha, nada nos cai do céu.
Bjos Maggie