quarta-feira, abril 02, 2014

a confusão que me faz o sofrimento


Custa-me o sofrimento dos que estão doentes e custa-me ver o sofrimento das pessoas mais chegadas. Sou sincera, eu não sei lidar com a dor, nem com a física nem com a outra, não sei o que dizer, não sou boa a confortar e nem consigo ser mentirosa e dizer que um dia tudo vai melhorar. Fico calada, fico a sentir-me fora do meu corpo e não articulo palavra, talvez porque na verdade nem tenho nada a dizer. E penso cá para mim, a única coisa que pode melhorar é esta pessoa partir e as outras, as que cuidem dela voltarem a ter a sua vida de volta, aquela que tinham antes da desgraça da doença acontecer. Seguir em frente, guardar o outro no coração, recordá-lo todos os dias mas deixá-lo ir. Se não existem melhoras, se não há uma hipótese de se voltar a ver aquela pessoa bem, porque não aceitar e deixar a natureza seguir o seu curso, com tudo o que existe para aliviar as dores e dar o conforto possível, claro? ás vezes o gostar muito do outro é deixar o (nosso) egoísmo de o querer ter ali, ás vezes não há maior prova de amor do que deixar o outro partir. Infelizmente até para morrer é preciso ter sorte. Os cuidados paliativos deviam ser para todos o que precisam e não estar sujeito a uma vaga numa cama de hospital, nem estar sujeito á sorte de o hospital da área de residência ter uma unidade destas. 
Ainda há tanto a fazer…

Bom dia


Maggie

4 comentários:

Leonor disse...

Sou como tu.. Sofro muito com o sofrimento dos outros..

Bom dia :)

Leope disse...

Como te entendo :s.. é mt complicado de gerir a nossa dor e muito mais ainda a dor dos outros ...

Sónia disse...

Eu sou assim como tu, entendo-te perfeitamente...

Paula disse...

Acho que a questão de se "deixar partir" não está propriamente nas nossas mãos não é? E enquanto a pessoa estiver viva e estiver a sofrer, todos os que estão à sua volta também sofrerão. Há que cuidar da pessoa doente o melhor possível. E também claro de tentar cuidar de quem trata dos doentes. Por experiência própria digo que por vezes a simples presença de alguém que se importa é muito importante. Por mais confusão que nos faça o sofrimente alheio nunca devemos afastar-nos por nos sentirmos desconfortáveis com a situação. Os bons amigos estão nas boas e nas más alturas. Depois perguntar se se pode fazer alguma coisa para ajudar (sem ser da boca para fora) também é muito bom. Estar dispostos a ouvir quer os doentes quer os seus familiares é talvez o melhor que podemos fazer para os ajudar. Falar ajuda muito. Não resolve os problemas mas ajuda a manter a sanidade mental. O apoio de um psicólogo pode ser também fundamental.
Bjs