segunda-feira, abril 21, 2014

os dramas dos outros


Quando o meu marido sai do país por uns dias, há logo alguém que vem com ar pesaroso dizer-me: oh que chatice e agora com as miúdas, como é que fazes? são tantos dias ... (como se fosse o maior drama á face da terra). Costumo responder com enfado mas prontamente: faço como todos os dias, o pai não faz cá falta para dar banhos e comida á boca, que eu sou uma mulher desenrascada, não preciso de um pai desses para as miúdas nem de um marido assim para para mim. O pai faz falta porque agora fico sem companhia para ver as series que vimos juntos todas as noites, fico sem poder partilhar os "dramas diários" e as patetices que elas vão fazendo. Um pai faz falta sim, para irmos juntos almoçar, ao cinema e ao parque, um pai faz falta e um marido também mas não logisticamente, não nesta casa. Faz falta porque gostamos dele, e custa estar longe, porque aborrece-me que ande a passear do outro lado do mundo sem mim mas não preciso dele para cumprir a escala domestica de lavar a loiça de hoje. E fico a pensar, que há pessoas que estão juntas porque logisticamente as coisas funcionam, porque trabalham bem em equipa mas será que gostam um do outro? com este tipo de comentário não me parece. Não gosto quando me vêm com esta conversa, principalmente quando vem do lado masculino como foi o caso, fico logo a achar que tem uma mulher tantanzinha que não se orienta com nada e acha que todas as mulheres são iguais, não gosto! As pessoas de quem gostamos fazem-nos sempre falta, mas porque gostamos da sua companhia, não porque estamos habituadas a dividir tarefas. Cá em casa é assim, vamos ter saudades do pai e da sua companhia porque sem ele a nossa vida perde metade da graça!


Maggie

8 comentários:

Vidas da Nossa Vida disse...

Gostei muito deste teu post. Beijinhos

Paula_2700 milhas disse...

Ia começar a frase com um "Infelizmente é tudo uma questão de hábito", mas, pensando melhor, o "infelizmente" não faz cá falta. É mesmo uma questão de se ser prático e encontrar soluções para as circunstâncias que temos no momento, porque a vida tem de continuar e andar para a frente. Ou não é assim?

Bj

Anónimo disse...

Eu que o diga porque sou mãe solteira e as minhas amigas e conhecidas olham para mim com o ar dramático e perguntam-me como é que eu consigo. Inicialmente, com um ar de pena. Mas depois começaram a ver-me impecavelmente vestida, com o cabelo arranjado e um bom ar, um sorriso feliz e algumas olham com uma certa inveja porque percebem que é mais fácil para mim sozinha do que para elas com companheiro. Não me acho a super mulher, portanto só posso concluir que elas é que são fracas.

p* disse...

Adorei este post! Realmente a companhia de alguém sabe sempre melhor porque gostamos delas e de partilhar a vida com elas; nunca deveria ser porque nos dão jeito para os afazeres do dia a dia ou porque o normal é ter companhia!

Rita_in_UK disse...

Porventura esses comentários vêm de casais em que ambos trabalham e que não têm a disponibilidade que tu tens para as pequenas :). Quem trabalha fora, partilha tarefas em casa e tem-nas bem definidas, da forma que funciona. No vosso caso também: ele trabalha, tu tratas da casa e das meninas. Para além da falta que o meu querido marido me faz quando vai para fora, é um facto que me baralha a logística... Porque ambos trabalhamos fora, longe de casa, e ambos viajamos em trabalho. Combinaçãozinha boaaaa ;)

Maggie disse...

Na verdade parece-me que no geral as mães que estão em casa ainda são imaginadas de avental e carapito a lavar e esfregar os cantinhos á casa, durante todo o santo dia. Nada mais errado, estar em casa significa ter tudo feito dentro de certos horários para estar disponível aos fins de semana, feriados e das 17h ás 21h30 diariamente. Tenho tempo de qualidade para mim, não deixo de ter roupa nova, nem de ir arranjar os pés, nem falto á depilação. Sento-me no café todos os dias durante quase uma hora a ler o jornal do dia ou á conversa. Levanto-me ás 7 h da manhã e visto-me como se fosse trabalhar, não ando de pijama o dia inteiro ;)
Enfim, acho que ainda é difícil para algumas pessoas imaginar isto, são muitos anos de mulheres/mães domésticas em cabeças que pouco evoluíram.
Bjos

Maggie

Rita_in_UK disse...

Maggie, quando nos conhecemos eu era apenas mãe e dona de casa. Também não andava em pijama e olha que onde eu estava elas até ao supermercado iam nesses preparos com um sobretudo por cima :). Até tinha mais tempo para tratar de mim como referes, e geria as coisas eficazmente nas ausências do G. Tens uma vida de que gostas. Eu também. Simplesmente não podemos comparar a falta que o nosso marido faz quando temos 2 horas por dia para dedicar aos filhos e à casa ou temos 12. E digo 12 porque muitas vezes eu trabalho 12 horas, não estou a dizer que passas 12 horas agarrada à esfregona como parece que interpretaste, estou apenas a comparar os nossos dois "empregos". Não parei no tempo nem sou retrógrada. Estou apenas a mostrar-te a outra face da moeda, a minha e a de milhares de outros casais em que ambos trabalham fora e se sentem tão realizados com isso como tu por estares em casa :).

Maggie disse...

Sim Rita eu segui o teu blog e adorava, sei que sabes que estar em casa não é lavar escadas o dia inteiro. A minha resposta não era direccionada á´tua pessoa. Acho que todas as opções são válidas desde que encaixem nas familias em questão. Tu trabalhas bem e é feliz porque fazes um trabalho que gosta e sentes-te realizada com isso, fico feliz por ti e gostava de ter um trabalho que me realizasse. Como não é essa a minha realidade, ter um trabalho que não me desperte curiosidade e entusiasmo, não me sinto realizada. Sinto-me mais feliz como estou mas cada caso é um casa obviamente.
Bjos

Maggie