quarta-feira, julho 02, 2014

esta coisa de ter que lidar com a dor é uma angustia, imagino!

Tenho filhas, 2. Tenho o meu marido, os meus pais, a minha irmã, cunhados, sogros. Já não tenho avós, fiquei muito triste quando partiram mas é a ordem natural das coisas, eram já muito velhinhos, não choca tanto. Ainda não tive que lidar com uma dor imensa. Esta vida tem dias que são uma maravilha mas tem outros que imagino que sejam um desespero. E eu que não uso as palavras coitadinha e tenho pena, nestes casos acabo sempre por usar. Quando pais perdem filhos imagino que se perca tudo, é diferente de filhos perderem pais, quando já são adultos claro. A dor de perder um filho sufoca, ao ler as palavras da Judite senti os ossos da cabeça a estalar, os olhos a encherem-se de lágrimas e um aperto muito grande. E eu não conheço a Judite nem o filho, mas conheço muitas mães e muitos filhos e não quero imaginar a dor, a solidão e a apatia. Tenho cá para mim que a Judite ainda está meia dormente, tem dores sim mas deve estar tão apática, deve tomar muita  medicação a ver se dorme, deve estar com a alma anestesiada. E tenho pena dela, tenho claro que tenho. Quando morre um filho nós vamos com ele, uma parte de nós ainda cá fica mas acredito que metade de nós se vai. Não quero imaginar-me sem filhas, não quero pensar o que sentiria se estivesse no lugar de tantas mães que perdem os filhos, não quero, recuso-me. Dói só de tentar imaginar.  Á Judite resta acreditar que estamos solidários com a dor dela, com a dor de tantas mães. Á Judite resta acreditar que ainda é tão nova, que ainda tem tanto para ensinar, para aprender, para trabalhar. Á Judite resta acreditar que o filho a vê e olha por ela, aconchega-lhe a roupa e dá-lhe um beijinho de boa noite.
Se alguém souber onde se vai buscar a força sem enlouquecer por favor pode partilhar aqui.


Maggie

3 comentários:

mumdream disse...

Conheço uma mãe que perdeu estupidamente os dois filhos, primeiro o mais velho com 23 anos e precisamente 9 anos depois, exatamente na mesma altura (natal)perdeu o mais novo com 25 anos. Ambos a jogar futebol com os amigos antes do jantar de natal...
De cada vez que vejo aquela senhora, pergunto-me a mim mesma como é possível uma mãe sobreviver a tamanho desgosto, mas ela anda aí de cabeça erguida, mas com o rosto fechado, como se consegue não sei, mas é possível. Se fosse eu, não sei, acho que ía com eles porque não consigo, nem quero imaginar a minha vida sem os meus filhos...

Bonitinha disse...

Mumdream, como assim perdeu jogando futebol? Foi ataque cardíaco?
Eu já falei de um caso destes no meu blog, a pessoa que conheço perdeu um filho com 11 anos afogado na piscina. Depois o filho mais velho com quase 18 anos de overdose e sobrou-lhe a filha mais nova. No caso desta senhora, ela separou-se porque além da dor de perder os filhos, o casamento era outro problema, o marido caiu no alcoolismo,perdeu o emprego...Hoje ela está aparentemente feliz (o possível para esta situação), casou novamente com um rapaz bem jovem, adquiriu uma nova casa (que tinha deixado tudo com o ex) e está fazendo faculdade. No caso dela, ela é espírita e acredita em vida após a morte, reencarnação, etc. Acho que a fé de que tudo tem uma razão de ser é onde ela encontrou mais força para prosseguir.
beijinhos

p* disse...

Deve depender da força e da fé de cada um voltar a viver. Mas a dor no momento deve ser tão grande que não dá para imaginar sequer. Vejo pessoas que enlouqueceram, vejo exemplos como a Helena Sacadura Cabral que conseguiu dar a volta. Nem nós próprios sabemos como vamos reagir muito menos dos outros. Cada um é único em tudo!