sexta-feira, outubro 17, 2014

nem 8 e nem 80


Aqui há dias li no blog de uma amiga isto, e tenho andado a matutar no tema. Por um lado parece-me certo, claro que as crianças devem ser protegidas mas por outro tudo me parece demasiado exagerado. Não sou a favor de ver as caras das crianças estampadas nos blogs a toda a hora mas não me parece trágico se for uma foto de vez em quando ou uma foto em que a criança apareça de lado. Está bem que neste meio blogosférico ás vezes é melhor protege-los de quem não nos quer bem, de quem nos quer chatear, nunca se sabe o que pode acontecer já que no mundo blogs crescem raivas e odiozinhos de estimação. Mas uma coisa é o mundo dos blogs outra bem diferente é a nossa casa e são os nossos amigos, e afinal onde está a diferença entre o que é publico e o que é privado? e onde fica o limite entre o proteger e o esconder? não é justo que eu tenha cá em casa fotos das minhas filhas com os amiguinhos da escola? da catequese ou da natação? não é justo que elas possam mostra-las a primos e a outros amigos? não é certo que estejam milhares de fotos afixadas dentro das escolas no final do ano, ou nas festas de natal? ou vamos privar os nossos filhos de ficarem com recordações dos amigos porque há pais que exigem que lhes peçam autorização para fotografar o filho? Não estaremos a exagerar? é que Portugal não tem grande historial de raptos de crianças, quase todos os casos são os pais e/ou a mães que desaparecem com os menores, não se trata de crianças raptadas para em seguida alguém ligar a pedir um resgate, isso é muito CSI. Em Portugal ainda vivemos calmamente neste campo e daí parece-me descabido tanto secretismo á volta do rosto de uma criança. Falo de crianças que ainda nem têm idade para andar sozinhas na rua, claro. Apartir do momento que colocamos um filho no mundo devemos protege-lo claro que sim mas esconde-lo já acho demais. As crianças andam nas creches, vão aos parques, passeiam-se pelos centro comerciais cheios de gente e estão muito mais expostas do que em fotografias que se podem partilhar entre amigos, mas com isto ninguém parece preocupar-se. Continuo a achar mais perigoso as redes dos recreios das escolas que dão para a rua onde passam tantas pessoas que podem falar, dar alguma coisa, chamar e observar qualquer criança. O nosso papel continua a ser o de as educar a não aceitar nada de estranhos, o de as ensinar que quem lhes quer fazer mal mente e diz que conhece os seus pais, o de ensinar até onde é que os outros podem ir, o nosso papel é de ensinar para que elas saibam que existem perigos e como podem defender-se, não esconder-lhes a cara, isso não ajudará em nada no futuro se um dia tiverem o azar de se cruzar com gente má. E com isto aproveito para agradecer aos agentes da autoridade que hoje se deslocaram á escola onde estão as minhas filhas e ensinaram algumas destas coisas que parece que já ninguém ensina ás crianças de hoje.
Estamos todos muito preocupados com as redes sociais quando as outras redes são muito mais fáceis de transpor, quem quiser faça o teste. 

Bom fim de semana


Maggie

p.s.- Bem isto sou eu que sou do tempo em que as fotos da primeiras comunhões eram afixadas ás centenas nas montras das casas de fotografias, e eu ficava ali horas a admira-las….

4 comentários:

Timtim Tim disse...

A questão não está em pôr fotografias ou não. A questão está em divulga-las por um meio que se pode expandir ao mundo inteiro, sem minha autorização ou do pai. Quem protege o direito à imagem das minhas filhas sou eu e o pai. E sabes eu também sou do tempo das fotos das montras, mas sempre pedi aos meus pais para dizerem aos fotógrafos para não exporem as minhas. Sempre detestei isso, isso e as fotos dos casamentos. Só mostro a quem quero e como quero...posso é assumir o risco de serem vistas por quem eu não quero. Mas quem tem de assumir o risco sou eu.

Rita_in_UK disse...

Maggie, eu talvez pela estadia no UK em que essa história da privacidade é levada ao extremo nunca publicaria fotos dos meus filhos com amigos sem ter a certeza que os pais não se importavam, por isso só publico com filhos de grandes amigos. Nunca postei por exemplo fotos das festas de anos, as típicas da escola, nem nunca o farei porque conheço pessoas que se recusam a mostrar os filhos no facebook. Ora se eles não mostram, o que seria o abuso de ser eu a mostrar? Às vezes nem gosto que a minha filha publique fotos dela com as amigas, não vão os paizinhos cair-me em cima... mas a Maria é inimputável, e na idade dela todas se expõem, por vezes até demais. Nisso a minha filha está bem treinada. Nada de fotos em bikini, shorts curtos, tops de barriga à mostra, etc. No meu até podes ver a Maria nesses trajes, mas eu sei muito bem quem lá anda. No dela nem pensar porque os miúdos às vezes amigam-se com pessoas que nunca viram na vida ou simplesmente com "amigos" parvinhos e tenho muito medo que possam fazer uso disso!
Bjinhs,
Rita

Maggie F. disse...

eu percebo a tua posição Rita, eu também nunca faria isso se soubesse que os pais não querem, mas na verdade nunca pensei muito nisto. já coloquei várias fotos das minhas filhas com amigas, tento que não estejam de frente para a máquina e não vejo mal nenhum nisso. faz-me confusão esta coisa de se esconder as caras das crianças como se fossem todas filhas de gente má/importante/influente que por ser quem é pudesse colocar as crianças em perigo.
Bjos

Mamã de Três disse...

Concordo e subscrevo na íntegra aquilo que a Maggie defende. Eu ainda sou mais aberta e acho que num mundo tão exposto como aquele em que vivemos, sinceramente ou escondemos as crianças em casa ou elas têm de aparecer em algum lado. Sei que podem não concordar comigo, mas não é daí que vem o perigo para as crianças.