quinta-feira, novembro 20, 2014

ainda a solidariedade pela internet

Há uns dias quando falei aqui sobre o sermos solidários com quem não conhecemos ao invés de o sermos com os nossos vizinhos e conhecidos, não disse mas estava a falar concretamente do caso da menina nascida no Dubai. Pelos vistos não fui assim tão pouco clara porque algumas pessoas tocaram no caso da bebé Margarida. Não tenho nada contra quem emigra, nem para a Europa nem para qualquer outra parte do mundo, eu própria estou interessada em sair daqui para fora, embora com o mínimo de condições, com o mínimo de segurança e garantias. 
Já aqui partilhei que não me agradam os pedidos pela internet, o que não quer dizer que não ajude, aliás já ajudei em dois casos mais  próximos mas esta nova moda abusiva de vir pedir cansa, e um dia vai ter o efeito contrário, um dia as pessoas vão deixar de ligar a tantos pedidos, vai ser impossível acompanhar todos, vai ser impossível a ajuda chegar para todos. Em relação a este caso da menina nascida de 25 semanas quero só dizer que não gostei da foto em que pai e mãe estão com a menina morta nos braços, enfim parece-me um momento demasiado intimo para se deixarem fotografar dessa maneira. Como é que alguém destroçado se deixa fotografar, para que foi aquilo?  Eu não passei por isso mas conheço dois casos que passaram. Nenhum dos dois quis ver mais o bebé desde a noticia da morte, talvez para fugir ao sofrimento não sei, quanto mais tirarem fotografia com o bebé. E nos dois casos falo de dois bebés de termo, não de bebés nascidos tão prematuros. Eu não posso dizer o que faria, não sei mas posso assegurar que se pegasse na minha filha morta ao colo não seria para me deixar fotografar e colocar na internet. Não gostei pronto. Achei até de mau gosto. Achei até pouco verdadeiro. Desejo as maiores felicidades aos pais, desejo que retomem as suas vidas e que não façam deste triste episódio das suas vidas uma grande história. Não vão ficar bem na fotografia.
A Margarida não resistiu, é agradecer muito a quem ajudou e continuar com a vida. Sofrer e chorar sim, muito, dentro de casa com a família, com os amigos próximos, com quem for mas longe do mediatismo. Talvez se deva fechar a página do facebook, não sei, era um principio ...

Bom dia


Maggie

5 comentários:

ana disse...

Desta vez não estou de acordo contigo, Margarida.
Quem emigra na maior parte dos casos fá-lo pressionado pelo desemprego e pelos ordenados miseráveis de cá, não podes comparar com a tua situação em que saíres do país será um upgrade do vosso já elevado nível de vida e não uma questão de sobrevivência.
Compreendo que este casal não tivesse antecipado a possibilidade de ter um problema de saúde grave, afinal mesmo cá nenhum seguro de saúde cobre o internamento prolongado de um bebé (ao contrário do que as pessoas possam pensar, a sorte é que (ainda) temos um SNS que chega a estes casos e não deixa um bebé morrer por falta de dinheiro para pagar o internamento.
Quanto à foto, não me chocou, pelo contrário, e compreendo que a tenham partilhado com aqueles que ajudaram a bebé a ter a oportunidade de lutar pela vida. A foto é discreta, não mostra a face do bebé, mal mostra a deles, é um momento de dor. E quando as revistas cor de rosa fotografam os funerais, já está bem?
Este casal já perdeu uma filha, sem a ajuda anónima das redes sociais teria também perdido qualquer possibilidade de se reerguer, porque ficar com uam dívida de dezenas de milhares de euros não ajuda propriamente ninguém. Que recuperem e sejam felizes com o mais velho, é o que lhes desejo.

Maggie F. disse...

Eu desejo o mesmo, que recuperem e que sejam felizes com o mais velho mas a razão de ser de todo o mediatismo da história já não tem razão de ser, acabou.

Maggie

Mãe Sabichona disse...

Pode ser dificil de compreender, mas por vezes a manutenção do mediatismo é uma forma de expurgar a dor, de continuarem a poder falar sobre o assunto e não necessariamente para exibição.
Também me chocou a foto da bebe mas eles receberam tantos donativos (eu por acaso fui uma das que ajudou) que equaciono que possam ter achado que era uma forma de agradecer. Sim, é meio bizarro, mas compreendo a necessidade de o fazerem, para se sentirem acompanhados. Portanto, não digo que concorde mas compreendo e não consigo julgar ou muito menos achar que foi um sentimento falso ou hipócrita só para chamar a atenção. Acredito também que foi a onda de solidariedade que os manteve com energia durante aqueles dias para suportar o estado da filha. Acho que ninguém tem o direito de dizer como é que eles deveriam sofrer ou com que tipo de recato. Se partilhar os ajudou um pouco que seja, quem somos nós para condenar? Cada um sofre como precisa. A emigração, corroboro o que foi dito acima. Isso de ter mínimas condições para emigrar é um luxo para muitos. Quanto aos donativos pela internet, é uma realidade que são cada vez mais e nunca se sabe o que está do outro lado, pelo que sou sempre cuidadosa a perceber a veracidade, mas cabe-nos a nós decidir isso e se por acaso não for uma causa verdadeira, é um risco que corremos. A possibilidade de realmente estarmos a ajudar não é mais importante do que correr esse risco? Conheço pessoas que dizem que não ajudam no banco alimentar porque não sabem para onde vai a comida. Ora bem, se não querem ajudar tudo bem, mas não venham com teorias da conspiração porque se todos pensassem assim ninguém ajudava.

Paula disse...

Desta vez não concordo nada contigo Maggie. A dor alheia e a morte incomodam muito. Eu entendo que não consigas ver, que te faça confusão. O meu conselho é: não vejas! Mas daí a duvidar da motivação dos pais...
Eu também vi a foto em questão. E também fiquei tocada. Ninguém devia passar por tal sofrimento... Como é possível que a primeira vez que peguem na filha seja para se despedirem dela? Talvez quem os acompanhava achou que o momento devia ser registado. E eles decidiram partilhar com os milhares que os acompanharam nas últimas semanas. Não duvidei por um minuto que fosse das suas motivações. Quem sou eu para dizer a estes pais como lidar com o sofrimento? Quem sou eu para os mandar sofrer no recato do lar?

Beijinhos

Patrícia Teodoro disse...

Não duvido da dor dos pais, não ponho sequer isso em causa...mas tambem não havia necessidade da foto ter-se tornado pública...primeiras páginas foram feitas com uma criança morta nos braços...mas não culpo os pais...culpo o jornalismo, as vendas (SEMPRE O DINHEIRO)...e tristezas existem e muitas meu Deus mas não precisam de estar a ser "esfregadas" na cara de todos nós.