terça-feira, novembro 18, 2014

as novas vidas em família

Eu acredito que devemos saber o que queremos e assumir as opções que fazemos na vida sem culpas. Muito menos devemos estar sujeitos ás graças dos outros quando muitas vezes não temos que explicar nada muito menos justificar alguma coisa. Ainda assim a sociedade portuguesa gosta de opinar deitando abaixo e de ser critica só para chatear. Ai a confusão que faz haver gente que faz diferente, ui. Isto para dizer que apesar da minha opção de vida (coisa que causa alguma estranheza por aqui), não critico quem optou por escolher uma vida diferente, pelo contrário. Consigo perceber todos os lados e desejar felicidades a todos. Se formos a ver bem as coisas um dia eu posso mudar de ideias e os outros também e passarmos para campos opostos, ninguém sabe  o dia de amanhã por isso mais uma razão para sermos  mais tolerantes.
As minhas filhas têm uma amiga que vive com o pai e com os irmãos, não que os pais estejam separados mas porque de segunda a sexta á tarde a mãe que trabalha numa cidade europeia, só vem passar os fins de semana a casa, (como tantos outros casos). E só me ocorre pensar que esta mãe tem uma fibra do caraças, uma força gigante e é uma mulher especial. Quantas mães conseguem viver felizes não vendo os filhos todos os dias, estando longe da família? E como é que esta mulher consegue ? pois a resposta é fácil, consegue porque gosta do que faz, porque não teve escolha, porque a filha fica bem entregue e porque o tempo de qualidade é mais importante que a quantidade de tempo que passa com a filha. Admiro-a porque apesar de ter feito uma opção contrária á minha é uma mulher segura e consistente nas suas opções, e isso é que é de louvar. Tem que haver respeito pelas escolhas de todos, e andar a julgar a vida dos outros roça até a infantilidade. Num tempo tão difícil como todos sabemos que vivemos é altura de passarmos a ser mais compreensivos e menos críticos. Detesto mesquinhez, além de que está na altura de aceitar que muitas vezes o casal não pode simplesmente emigrar com a família toda como se fazia há 50 anos. Muita gente que sai agora do país, faz as coisas com calma, vai primeiro um dos membros do casal, depois mais tarde o resto da família vai lá ter, e qual é o mal disso? Parece-me que na sociedade portuguesa estamos a anos luz de aceitar mais do que a família tradicional, sentada para jantar sem falta ás 20h. Diz-se que sim a tudo mas na prática continua-se a condenar o que sai do modelo instituído há anos. Ahhh e esta mãe não é menos mãe por não estar cá todos os dias. E se calhar este pai sofre de solidão, como já ouvi ohh céus, mas quantos casais há que juntos todas as noites sentados no sofá lado a lado também estão a braços com a solidão?

Bom dia


Maggie

4 comentários:

Vee disse...

Tenho para mim que os maiores críticos das escolhas dos outros são os que não têm coragem de assumir as consequências das escolhas que querem fazer mas não são capazes, por medo ou qualquer tipo de incapacidade.

Nany disse...

Ora agora é que disseste uma grande verdade, há casais que jantam juntos às 20h e que sentem sós.
Cada um toma as opções que funcionam com a sua família, com a sua dinâmica pessoal e familiar.
Bjs

Timtim Tim disse...

Concordo contigo. Eu fiz a minha escolha, em minha casa janta-se às 19 e 15 m. Mas se for preciso, se acontecer alguma coisa, janta-se ás 22 horas. Por isso, quer lá eu saber que outros jantem a outras. Eu optei por mudar de área na qual trabalhava há 17 anos, par poder ficar com as minhas filhas aqui ao pé. Mas como eu não crítico quem faz o contrário também não me podem criticar pelas minhas opções. Cada um vive como quer. E como se sente feliz.E, dizes bem, quantos casais passam um serão, sentados no mesmo sofá, completamente sozinhos...

43 e picos disse...

A última frase, foi sem dúvida a cereja no topo de um magnífico bolo, cozinhado por palavras tão verdadeiras, com os melhores ingredientes possíveis, a franqueza e sinceridade perante um assunto tão delicado.