domingo, novembro 16, 2014

o dia de amanhã ninguém sabe

Não que não acredite que as pessoas precisem mas porque aprendi que não é assim que salvamos alguém da rua ou da miséria. A minha formação ensinou-me que não é a dar dinheiro para a mão de quem precisa que resolvemos a vida ás pessoas, a única coisa que resolvemos é ficarmos de consciência mais leve, como se nos pudéssemos substituir á Segurança Social, não podemos. Acontece que nem há 10 minutos tocaram á porta, espreitei pela janela e vi uma senhora com uma miúda com uns 12 anos ao lado. Confesso que raramente perco tempo a ouvir os dramas alheios, por um lado não posso ajudar e por outro sou desconfiada, não acredito em tudo. Pensei até que vinha pedir trabalho, acontece muito por aqui mas quando a senhora começa de lágrimas nos olhos a pedir uma ajuda que tem esta menina e uma outra mais nova para dar de comer, quando a senhora pede 3 vezes desculpa por me vir incomodar e cheia de vergonha e humildade pede, não resisti e estendi-lhe uma nota de 5 € que tinha na carteira. Caramba 5€ não é nada mas acredito que para ela sejam muito. Noite, um frio lá fora, a cara da miúda enfiada no chão, a senhora a dizer que mora aqui numa rua perto e a dar-me a morada completa, e ar de quem passa mesmo necessidades, confesso que me doeu. Quando eu era miúda da idade das minhas filhas tocavam algumas vezes á porta lá de casa a pedir, mas durante muitos anos deixei de ver isso, até hoje. Vêm-se pessoas a pedir nos transportes, nos cafés (algumas até com um ar já quase profissional), mas isto de nos virem bater á porta, por aqui nunca se viu. Não voltarei a dar-lhe dinheiro mas desejo-lhe toda a sorte do mundo. Um dia vou voltar á faculdade, mas não será para concluir serviço social de certeza absoluta. Sei que não tenho estofo para isso.

Boa noite


Maggie

3 comentários:

Anónimo disse...

Já bateram à minha porta duas vezes. Eu fiquei admirada. Na primeira vez era um homem, vinha envergonhado, pedia desculpas... Na segunda uma senhora, com uma das filhas também. Eu por norma não dinheiro mas ofereço sempre comida. E eles aceitaram, e agradeceram. Se me voltarem a bater à porta, voltarei a ofecerer comida porque é a falta dela que os move a perder a vergonha e bater à porta dos vizinhos. E a quantidade de pessoas que agora se vê a revirar os caixotes do lixo? Ai ai... Que vida esta. :(

Paula

Maggie F. disse...

Eu depois também fiquei a pensar, podia ter lhe dado umas laranjas e maçãs que tenho ali com fartura e se calhar algumas ainda se vão estragar, e até algumas mercearias mas nem me lembrei disso na altura, se calhar porque não esperava que me viessem bater á porta a pedir ajuda, …

Obrigada pelo comentario

Maggie

Bonitinha disse...

Eu acostumei-me Maggie... morei durante muitos anos em uma casa ao pé de uma favela e vinha gente pedir umas cinco vezes por dia. Por acaso depois do governo do Lula a miséria tem diminuido e quando morei aquele ano com a minha mãe novamente, ja não era tão comum baterem a porta. ( Desculpa a falta de acentuação).
beijinhos