segunda-feira, novembro 03, 2014

queremos filhos felizes para lhes tirar a felicidade?


até parece um jogo macabro. Esta semana vou á escola falar com a professora da Maria Clementina, parece que ela tem queixas, já que me mandou chamar. E eu fico eu aqui a pensar, que queixas terá ela? a minha mais nova não é de responder, muito menos é criança de tratar mal alguém, vou ser chamada porque a miúda é feliz, a verdade é essa. A Maria é das crianças mais genuinamente felizes que conheço. É sociável, brinca com quem está disponível para brincar, brinca com rapazes e com raparigas, brinca com os novos e com os velhos amigos. Brinca ás famílias, mas também brinca aos policias e ladrões, e corre nos recreios, corre muito, tem energia. E tem boas notas apesar de aparentemente ter perdido o interesse, mas parece que o facto dela ser assim não é bom, a escola gosta mais das moscas mortas, claro que sim, não dão trabalho. Diz que nas aulas é um sacrifício para fazer alguma coisa (contou-me outra professora), pois acredito que sim, na realidade o 2º ano é uma seca, é ler melhor, é escrever melhor e perdeu-se o factor novidade que só regressará no 3º ano. Se não houver um professor que motive os alunos, que lhes ensine as matérias dando um toque mais divertido o 2º ano é mesmo mais do mesmo. Para uma criança cheia de vida imagino o sacrifício que seja passar um dia a ouvir a professora falar, e há tantas maneiras mais lúdicas de ensinar, … De notar que a Maria chegou ao 1º ano motivada para aprender, de notar que a Maria sempre se aguentou sentada na cadeira ao contrário da irmã, de notar que a Maria aprende com facilidade, e então o que se terá passado? o que não estará a correr bem? onde é que esta situação mudou? 
A miúda é activa mas não é hiperactiva (não me venham com conversas do género, já sou uma mãe vacinada) , a miúda é alegre, é feliz e eu não lhe vou tirar isso. Também aviso já que não a vou colocar de castigo ou tirar-lhe isto ou aquilo, terá que trabalhar mais, claro que sim mas sem sanções. Teremos que descobrir como cativa-la e mostrar-lhe que o que se aprende na escola é para a vida.
Lamento muito mas gosto de saber que corre feliz nos recreios, só falta descobrir como a fazer feliz na sala de aula!


Maggie

7 comentários:

Vee disse...

A escola não se quer adaptar à infância, quer crianças passivas. Era assim há 30 anos, acredito que nada (ou muito pouco) tenha mudado.

ana disse...

A Maria está numa escola privada. Existem muitas escolas privadas nessa zona. É escolher uma cujo modelo educativo se adeque à personalidade da Maria. Desculpa, mas vejo as coisas assim - bem basta quando não há possibilidade de escolha. E já agora, uma com um uniforme mais moderno e giro :))) (a brincar, a brincar, se a escola quer crianças quer crianças que encaixem no figurino bem comportado da saia de pregas, já sabes o que te/vos espera!)

amigos das onze horas disse...

Cada vez mais tenho a certeza que a inteligência emocional é a mais importante e a que deve ser mais trabalhada. Enquanto professora garanto-te que não são as "moscas mortas" as mais valorizadas. São sim aquelas que ajudam os colegas só pelo gosto de ajudar, as que estão caladas a ouvir o professor mesmo quando a matéria é mais maçadora, as que opinam na altura certa, as trabalhadoras e empenhadas. As turmas têm geralmente 20-30 alunos e são geralmente tão heterogéneas que é difícil chegar a todos os alunos.
Os pais devem trabalhar com a escola para que os seus filhos consigam alcançar os melhores resultados possíveis.
Beijinhos

Nany disse...

Uma mãe conhece os seus filhos.
Se a persoanlidade dela não se coaduna com a professora não há necessidade de culpar a criança por isso.
Bjs

Paula disse...

Olá Maggie!
As crianças querem-se alegres, vivaças, espevitadas... e podia continuar. :) Contudo, devem poder diferenciar o comportamento que devem ter dentro da sala do que têm fora da sala de aulas.
A minha filha que tem a idade da Maria é tudo isso que descreves e até ver não perdeu o interesse. No ano passado falava que se desunhava e recebeu algumas chamadas de atenção da prof. mas nada de especial (a prof. era muito amiga deles). Ela melhorou aos poucos. Este ano está muito melhor no que à tagarelice diz respeito... Bem, o que eu quero dizer é que a tua filha não tem problema nenhum. Parece-me que a prof. talvez tenha e não saiba lidar com ela da melhor forma. Com 7 anos os comportamentos em sala de aula não variam muito.

Bjs

Paula

C.F. disse...

Margarida,
A descrição que fazes da tua Maria Clementina encaixasse perfeitamente na personalidade do meu "mini me".
Este ano, com a invenção das bolinhas coloridas do comportamento, as coisas não têm sido fáceis... a bola vermelha faz parte dos nossos dias e ele lá vai avisando:
"Vou estar sempre no vermelho... eu tento mãe, mas não consigo estar calado, nem quieto...".
São 5 anos de uma energia saudável, uma felicidade louvável, um sorriso rasgado e tanto mas tanto para aprender e partilhar.
Já fui abordada subtilmente pela educadora para o facto de o Afonso ter de aprender a esperar a sua vez para falar, ter de se manter sentado 3 horas da parte da manhã mais 3 horas da parte da tarde, ter de aprender a cumprir as regras da aula(que a matéria ele sabe-a de cor). Já respondi subtilmente que o meu filho não é uma criança formatada e que para mim é muito mais preocupante a situação de crianças, que as há, que passam o dia quietas e caladas. Mas essas não dão trabalho...
Ao meu filho desejo que a sua felicidade se mantenha pela vida fora e que continue, de forma educada, a ser autentico.
Beijinhos.

Maggie F. disse...

Há lá coisa melhor do que crianças felizes? não há.
Lamento mas a professora da minha terá que trabalhar para a motivar, é o seu trabalho. A Maria é boa aluna, educada e prestável, amiga de todos e isso para mim tem muito valor.

Bjos

Maggie