quarta-feira, janeiro 14, 2015

eu sou a Margarida, elas são a Micas e a Maria Castanha

Aqui há uns tempos, falava com uma mãe amiga, por acaso psicóloga e discutíamos aquela coisa dos pais transferirem as suas frustrações e ambições que ficaram insatisfeitas por variadas razões para os filhos, e por isso muitas vezes deparamo-nos com miúdos idiotas apoiados por papás ainda mais idiotas. Papás que dão saltinhos e pulinhos quando os filhos são muito bons na escola, porque eles não foram mais gostavam muito de ter sido, que dão pulinhos porque a filha vai lindamente e tem imenso jeito para o teatro, actividade que os pais não tiveram mas que gostavam de ter tido, pulinhos porque o menino anda no futebol e marcou 1 golo, e por aí adiante … Não vejo muitos pais interessados nos colegas do filho nem no que se passa nas salas de aula mas vejo muitos pais interessados em saber exactamente quantas décimas a sua menina teve a mais do que a do lado, e falo de meninos da primária. Apercebi-me a meio da conversa que eu não sou assim, nunca fui, houve muitas coisas que gostava de ter feito e não tive oportunidade mas vivo bem com isso, não transfiro as minhas desilusões/frustrações para as minhas filhas. Gostava muito que fossem boas pessoas, por enquanto são boas meninas, gostava muito que tivessem uma profissão da qual gostassem, gosto de pensar que lhes posso proporcionar vivências que eu não tive porque não pude, mas a vida é delas e se as quiserem aproveitar serão mulheres espertas. Eu sou e continuo em outro departamento, as minhas frustrações e ambições continuam muito minhas, e algumas talvez ainda sigam em frente, outras estão arrumadas cá dentro, sem dramas. As minhas miúdas são outras pessoas, não há misturas, farão o que quiserem com a vida delas e não pretendo que estudem isto ou aquilo, a mim basta-me que encontrem o seu caminho. Terão que ser elas a encontra-lo, nos podemos orientar mas nunca decidir. Eu encontrei tarde o meu, é só isso que não desejo para elas. Vou ás reuniões da escola,vou ás apresentações na escola, vou ás festas onde actuam por elas, porque eu sei o quanto é confortável e motivador ter lá a mãe a assistir mas não lhes construo já uma vida, nem uma carreira, não dou pulos de contentamento despropositados, nem palmadinhas nas costas muito menos quando não merecem, como vejo tantas vezes. Não babo demasiado a falar delas, não que não mereçam mas porque me recuso a ser uma mãe enjoativa, daquelas que não vêm mais nada á frente, daqueles que têm a visão desfocada quando se fala dos seus filhos, daquelas que acham que têm ali o génio que elas nunca foram mas que gostavam de ter sido. Se os pais separassem mais os papeis, as crianças seriam todas apenas crianças e não crianças armadas em adultas cheias de manias na cabeça. 


Maggie

2 comentários:

Paula disse...

Confesso que há uma coisa que gostava de ter feito e que gostava que a minha filha fizesse. Aprender a tocar um instrumento. No verão passado caí na asneira de a inscrever num instrumento de que eu gostava. Eu sei, eu sei... Que parvoíce! A verdade é que nem pensei. Ela disse que gostava de ter aulas de música e eu sem maldade inscrevi-a naquilo que eu mais gosto. Quando cheguei a casa e lhe contei toda entusiasmada levei com um balde de água fria. Ela preferia a guitarra, ou piano... Foi sem pensar mas pus o meus gostos acima dos dela. Ela até acabou por gostar e segundo o prof. tem muito jeito para o dito mas... não foi ela que o escolheu. E eu fiquei com esse pequeno peso a moer-me as ideias. Neste verão, será ela a escolher o instrumento. É assim que tem que ser.

Maggie F. disse...

Não é grave. Grave é obrigar a criança a gostar, é insistir para que aprenda o que o que não gosta, é insistir mesmo que a criança não queira, é vibrar e dar pulinhos e ter uma criança com carinha triste!

Bjos

Maggie