sexta-feira, março 06, 2015

há pais que vivem preocupados com os filhos a vida inteira ...

mesmo quando os filhos já são adultos e têm até a sua família. Aqui é ao contrário, eu sempre vivi preocupada primeiro com os meus avós porque os adorava mas eles moravam muito longe, só os via nas férias. Lembro-me de ser uma miúda da idade das minhas filhas e estar preocupada ou porque eram velhotes e podiam cair, como aconteceu algumas vezes, ou porque tinham doenças e nós estávamos longe e não havia telefones, muito menos telemóveis. Podiam estar muito mal no hospital que nós não sabíamos, (como aconteceu), aquilo deixava-me muito ansiosa. Tínhamos o compromisso de ligarem para o trabalho da minha mãe ás sextas feiras. E eu todas as sextas ficava descansada porque afinal eles estavam bem. Desde miúda habituei-me também a preocupar-me com os meus pais, talvez porque todos os temas eram discutidos á minha frente, modernismos pós 25 de Abril que eu não faço com as minhas filhas. Há tempo para tudo e nem tudo é para todas as idades, tem que haver algum cuidado quando há miúdos por perto. Eu cresci sempre com a cabeça no lugar, sabia que não podia dar problemas aos meus pais, nem preocupações, nem deixa-los preocupados comigo. Fui uma criança e uma adolescente feliz mas sempre preocupada, sabia as regras, conhecia os limites e sabia que não podia arranjar confusões próprias de miúda daquela idade. Os meus pais não estariam lá para me amparar nas quedas. Cresci muito cedo, e percebi que tinha que ser responsável e não dar preocupações.
No ano em que faço 40 anos faço um balanço e vejo que será assim até ao fim. Como se eu fosse responsável por eles, como se estivesse na minha mão resolver tudo, como se eu tivesse que os poupar a tudo. Olho para trás, e á distancia de tantos anos vejo onde erraram e tento não cometer os mesmos erros, cometerei outros de certeza mas as minhas filhas não carregam as minhas preocupações, os meus dramas existenciais, nem as minhas frustrações, isso nunca. Gosto de as ver crescer despreocupadas. São conscientes, não vivem alheadas da realidade, mas não carregam o mundo ás costas. Isso não permitirei! 

Bom fim de semana


Maggie

1 comentário:

Timtim Tim disse...

Concordo na íntegra com o que disseste. Os meus pais estiveram sempre lá e ainda estão e deram-me toda a liberdade de escolha. Mesmo assim, como filha única que sou, vivendo a 400 kms, vivo em sobressalto. Vou preocupar-me com as minhas filhas a vida inteira. Penso que é inerente á natureza de mãe e pai. Mas não quero que elas carreguem o peso da preocupação comigo.