terça-feira, abril 28, 2015

não sou nem nunca serei uma mãe moderna

Não quero ser. Não sonho com as minhas filhas crescidas para irmos juntas para a noite com os respectivos namorados. Não anseio por trocar roupa com elas, nem partilhar maquilhagem. Não estou em pulgas para as deixar comprar os trapos que gostam ou que um dia venham a gostar. Não estou doida para as ver passar e os olhos de outros (que não os miúdos da idade delas, entenda-se), a revirarem-se para as ver. Não, não gosto da adolescência precoce, da juventude de precoce, na verdade não gosto de nada precoce. 
Gosto de as ver crescer mas nunca me esqueço que serei sempre mãe delas, disso não abro mão. Quis ser mãe, quis muito, não para as manter debaixo da minha asa para sempre, longe disso, mas para as ver crescer ao seu ritmo, para as ver crescer todos os dias, não gosto de acelerar a vida. 
Repugna-me ver mães que anseiam pelo crescimento rápido das filhas, dizem que para terem uma companheira, uma amiga para sair, fico arrepiada. Caramba, as conversas que tenho com as minhas amigas não são as mesmas que tenho com as minhas filhas, não gosto de misturar. Por maiores que sejam um dia, serão sempre minhas filhas, e se não contamos tudo aos pais, também não devemos contar tudo aos filhos. Cada um tem a sua intimidade e isso é para respeitar. 
Reparo que hoje discute-se muito se as mães amamentam os bebés, já enjoa o tema, como se ser mãe fosse só o amamentar e os partos naturais ou de cesariana, e discute-se pouco a forma como nos relacionamos com os nossos filhos. Como lidamos com as coisas próprias da idade, como tentamos ensina-los a safarem-se de situações onde se viram metidos, como fazemos para lhes mostrar o certo e o errado. Como se a partir da primeira infância já não houvesse nada a ensinar, é isto ou as mães sabem todas como guiar os filhos, sem duvidas. 
Sou uma mãe chata, se calhar sou mas é a que têm, e sei que um dia vão agradecer-me.


Maggie

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