quinta-feira, julho 09, 2015

da falta de respeito ou será da falta de regras?

(a propósito daquela miúda de 16 anos que desapareceu e afinal foi encontrada na casa de um amigo onde estava de livre vontade)

Não percebo isto, faço o exercício de voltar atrás 24 anos da minha vida e volto a ver-me com 16 anos. Continuo sem ver ligação, continuo sem perceber o que é que esta miúda achava que estava a fazer? Os pais entraram em desespero, o país colocou-se em alerta á procura da miuda com partilhas da sua cara por todo o facebook, a policia judiciária pôs-se em campo e esta miuda estava na casa de um amigo? Continuo a ver-me com 16 anos mas não fiz coisas destas, primeiro porque nunca colocaria os meus pais em stress, depois se algum dia os colocasse em stress quem se tramava era eu, e alguma vez os meus pais me acolhiam de volta com boa cara? não, no minimo levava uns abanões e não teria ordem de soltura tão depressa. Volto a ver-me com 16 anos, vejo-me agarrada ao António, (sim aquele que agora está um bimbo e gordo mas que na altura dava-me a volta á cabeça), vejo-me a passear pelas ruas aos beijos, lembro-me da casa do António assim de fugida, lembro-me de estarmos apaixonados e de gostarmos de estar sozinhos, mas nunca desapareci, nem eu nem as minhas amigas. Tudo o que fazia sem os meus pais saberem era nos intervalos das aulas ou nas tardes sem aulas, quando chegava a hora de ir para casa eu já lá estava, nunca falhei. Gostava do voto de confiança que os meus pais me davam e era esperta o suficiente para saber que não podia falhar, eu sabia que um deslize colocava tudo a perder, e eu sempre fui muito sensata. Fazia o que queria dentro das horas de liberdade que tinha e ponto. Mas isto passou-se há muitos anos, quando os pais ainda eram responsáveis pelos filhos e quando os filhos não tinham a liberdade que os papás de hoje lhes dão. Eu tinha respeito, tinha medo e não queria desiludir os meus pais. Era lá capaz de desaparecer por uns dias e pôr a vida dos meus pais de pantanas por nada? não, e não é que o António não valesse o risco mas as tardes chegavam-nos e quando não chegavam ficávamos a sonhar encontrar-nos no dia seguinte. Não, eu já tive 16 anos mas não era burra. Não percebo estes pais de hoje que deixam tudo, permitem tudo, apoiam tudo, é aquela conversa de serem os melhores amigos dos filhos, vê-se o resultado, não têm mão neles. Eu acho triste esta história porque gosto deste exercício de me ver com 16 anos e vejo-me sonhadora e apaixonada, tão longe desta miúda que já tem a escola toda mas que no fundo não sabe nada. Se fosse filha do meu pai, levava uns valentes apertões que nunca mais se metia noutra, garanto. 
Fez-lhe falta um pai e uma mãe!

Bom dia


Maggie

7 comentários:

miss sixty disse...

concordo contigo! mesmo! têm demasiada liberdade e poucos "enxota moscas"...

CarlaC disse...

Costuma-se ouvir que um pai não deve ser amigo mas sim pai, e acho que é verdade. Porque se é amigo, há falta de uma relação de autoridade ente pai-filho ou mãe-filha.
Eu com 16 anos só podia "sair" de tarde, com autorização dos pais e alguém tinha que fazer anos ou era um dia mais especial. E quando mais nova, mais autoridade e aperto havia!

~ Carla'C
Coisinhas da Carla'C

ana disse...

Não sabemos o que correu mal, por isso é mais prudente não fazer juízos precipitados. Conheço casos em que os filhos pisaram o risco (e muito) apesar dos esforços dos pais. Espero que tenham ajuda como família e que tudo não passe de uma estupidez de adolescente.

ana disse...

Não sabemos o que correu mal, por isso é mais prudente não fazer juízos precipitados. Conheço casos em que os filhos pisaram o risco (e muito) apesar dos esforços dos pais. Espero que tenham ajuda como família e que tudo não passe de uma estupidez de adolescente.

Maggie F. disse...

ahhh mas eu faço juízos sim, a noticia foi apresentada assim e é assim que a comento. Sou pouco prudente? tavez seja sim mas a noticia a ser verdadeira não me merece outro comentário.

Bjos

Anónimo disse...

Sempre, sempre os julgamentos... a vida mais tarde ou mais cedo ensina...

Maggie F. disse...

beijinho para a anónima acima, gosto de a ver por cá ;)

Maggie