quinta-feira, setembro 10, 2015

dos dias difíceis …

Isto de ficar sem mãe é duro, e custa muito mesmo aos 40 anos. É daquelas coisas que sabemos que um dia acontece mas é difícil imaginar o que vamos sentir. Parece estranho, parece irreal, parece que não sentimos grande coisa nos dias logo a seguir, o pior vem depois, uns dias depois. Eu até tive sorte, tive mãe até aos 40 anos, há tanta gente que perde a mãe mais cedo, mas não chega para apaziguar a dor. Dói na mesma. Perdi qualquer vestígio do bronzeado, perdi um 1kg e meio em 4 dias, (que ainda não recuperei), fiquei com a cara mais esguia, mais velha, ás vezes vou para a frente do espelho e faço um esforço para fazer um sorriso. Tento mas não me reconheço, sai demasiado forçado. Fiquei amarelada, na verdade estou com má cara. Foram muitas as vezes nestes dias, em que me esqueci que tinha um bebé a crescer cá dentro. Custa estar grávida e triste mas acho que me custaria mais se não estivesse grávida e não tivesse as miúdas para dar um bocadinho de normalidade a estes dias. A paciência não é nenhuma claro mas ajuda a manter uma aparência mais normal e uma rotina o mais equilibrada possível. Ajuda a andar para a frente.
Custa mexer nas coisas dela, arrumar, guardar … Custa pensar que acabou, que não voltarei a discutir com ela, que perdi a companhia de todas as manhãs para o cafézinho e para ir ás compras. Agarro-me á ideia de que não sofreu. Ideia que, depois de horas e horas sozinha onde a cabeça não pára de pensar até já não me deixa convencida, e começo a pensar que se calhar não foi bem assim, e sofreu. Tento não pensar muito, evito estar sozinha, tento apagar da memória a UCI e ela lá deitada na maca, tento explorar o menos possível os detalhes que me assaltam de vez em quando para não ficar mais magoada. E tento não deixar registado os dias maus, como me "aconselhou" aqui uma anónima há dias, tento mas não dá. O menos importante é deixar ou não registado aqui, porque está cá dentro sempre, porque vê-se na minha cara amarela. Deixar aqui registado é o que menos interessa, volto a lembrar que este blog não é fofinho. Este blog é meu, é a minha vida: uns dias são muito felizes outros nem por isso, como todas as vidas. E já tinha saudades vossas.

Bom dia


Maggie

15 comentários:

disse...

Não custa menos aos 40...
Querida Maggie um grande beijinho

miss sixty disse...

um grande abraço :*

Vidas da Nossa Vida disse...

Um beijinho. Custa sempre. Eu não perdi a minha mãe, mas perdi o meu pai e ainda hoje, 5 anos feitos em Agosto - tinha o meu primeiro filho nos braços há 8 meses e o misto de tristeza arrebatadora de o ter perdido de repente, sem sequer estar doente e não termos tempo de nos despedir um do outro (ainda agora a escrever isto fico com os olhos cheios de lágrimas com esta tristeza)e a alegria de ser mãe e de ter um bebé para cuidar. Tens o teu bebé dentro de ti e as tuas filhotas para te darem força e ajudarem a sorrir. A dor, permanece, e vai-se transformando em saudade. Um enorme beijinho.

patricia disse...

Maggie palavras nestas horas leva as o vento.
Estou a viver uma situação... de quase partida...se é que me entendes...e sei que vai doer...já doi tanto!!!!!!!
Gostava neste momento de te dar um abraço, já que não pode ser pessoalmente fica aqui neste teu cantinho que não tem de ser fofo e lindo tem de ser real com alegrias e tristezas porque a vida é isso mesmo.
Um bj grande
Patrícia Antunes

TheNotSoGirlyGirl disse...

Oh minha querida, os meus sentimentos! Eu sei que custa mas tens de ser forte, pelas miúdas e pelo teu rebento. E com o tempo vai custar menos... ainda vai doer, mas vai custar menos. Beijinhos e muita forca!

Bombocaa disse...

discordo quem diz que com o tempo vai custar menos...nunca custa menos, custa é de uma maneira diferente. dói sempre e na mesma e até cada x mais.
Perdi a minha mãe há 4 anos...n tinha 40, 40 tenho agora. Custa sempre...mas passado 4 anos custa-me de uma maneira tão diferente. Reaprendemos a viver com as ausências...
Força e a vida é isto mesmo...ninguém disse que a vida era justa.
Perdeste a mãe mas agora tens de tratar do que há-de vir...o luto...tens tempo de o fazer, aceita o que a vida te dá...sem revoltas. é um conselho de quem já perdeu a mãe...sem revoltas a vida e o dia a seguir leva-se mt melhor.

kissinho

Nany disse...

Os meus entimentos querida.
Não importa a idade, perder aqueles de quem gostamos custa sempre muito.
Bjs

Alfacinha e companhia disse...

Sinto muito. Também perdi a minha à 14 anos. Aprendemos a viver com a ausência e a gerir a dor.
Beijinhos e força!

Mãe Sabichona disse...

Um dos dias que mais temo ver chegar. Muita força.

Mary disse...

Um beijinho grande, é sempre dificil.

Mãe Happy disse...

Lamento muito... nem imagino a dor que estás a sentir... Desabafa e faz o teu luto... Beijo e abraço apertado

Mãe Happy disse...

Lamento muito... nem imagino a dor que estás a sentir... Desabafa e faz o teu luto... Beijo e abraço apertado

Anónimo disse...

Oh Maggie... Lamento muito.
Beijinhos.
Paula (pequenoseverdes)

marina maia disse...

Maggie...um beijinho e coragem...

Mamã Petra disse...

Passei por isso faz dia 20 de Setembro 2 meses, depois de 10 anos com Alzheimer e uma demência muito grave, á mais de 4 anos que não me reconhecia, não falava, não comia sozinha, não andava, era um bebe grande, um recém nascido grande, eu achava sempre que ela sorria quando me via, ás vezes achava que ela me tinha reconhecido, e como tinha perdido a minha companhia á mais de 10 anos, pois sintomas ela tinha há 16 anos, e quando foi diagnosticada já não podia ficar sozinha nem viver comigo que tinha um bebé recém nascido, por isto tudo eu achava que estava preparada, mas não estava, isso não existe o estar preparada, o achar que ela não sofreu não diminui a minha dor, e ficar sem mãe é tão mas tão triste, mesmo quando a mãe é tão só uma presença, mesmo assim ela era muito para mim. O tempo apenas ajuda a recordar com menos dor, a recordar com mais emoção, e quando damos conta estamos a pensar nela. Mãe é mãe e jamais será substituível.