sexta-feira, setembro 25, 2015

o roupeiro da minha mãe (ontem foi dia de destralhar)


Na verdade nem houve grande coisa para destralhar mas é certo que ficou reduzido a um terço das peças que lá estavam. Começámos por ver o que não valia a pena guardar como malhas da Zara e da Massimo Dutti já mais velhas , pijamas, roupões, casacos de inverno mais usados, malas que não faziam o nosso estilo, saias que nunca usaríamos, "coisas mais de trazer por casa"… enfiamos num saco e fomos colocar num daqueles contentores da Cáritas que estão á entrada da igreja. Depois seleccionámos as peças muito boas e das quais a minha mãe nunca se iria desfazer, havia uns vestidos Carolina Herrera e umas peças da Purificacion Garcia que ficaram lá arrumadas em porta fatos para ficarem mais protegidas do pó. São peças que em principio não usaremos. A minha mãe era fã destas duas marcas e também do Adolfo Dominguez, quase sempre namorava as peças a estação inteira e depois nos saldos comprava on line ou ia a Alcochete á procura das peças. Muitas vezes comprava o que queria a preços fantásticos,  tinha sorte.
 Trouxemos as outras peças boas, as que vamos usar. Pior foram os sapatos, entre tantos novos que estavam ainda dentro de caixas só consegui que uns vermelhos me servissem, quase todos eram pequenos, já para a minha irmã eram grandes, … por agora deixámos na mesma arrumados dentro das respectivas caixas, sapatos que custaram fortunas e que não fomos capazes de dar assim com tanta facilidade porque a minha mãe era uma pessoa que adorava as suas coisas. Tinha tudo muito estimado e não ia gostar que as déssemos á toa.  A minha irmã levou uma mala que a minha mãe andou meses a namorar no El corte Inglês e que acabou por comprar mas nunca a chegou a usar. Eu trouxe algumas carteiras de cerimónia, lenços, e a carteira da MK que lhe trouxe há 3 meses de Miami e que ela nem chegou a usar. Preferia que a minha irmã tivesse ficado com ela, mas ela insistiu que não, eu acabei por traze-la mas não vou usa-la para já, fica guardada. Trouxe dois fios e dois anéis que a minha mãe tinha há muitos anos, ficaram guardados na minha caixa junto das outras peças com mais valor. 
Ficámos de voltar daqui por uns meses, olhar novamente e destralhar mais um bocadinho!

( não preciso deste roupeiro de parede para nada, o meu pai tem o dele e a minha mãe tinha o dela mas faz-me confusão ver lá tudo como se ela ainda cá estivesse , senti esta necessidade de arrumar, de distribuir, de mudar… parece-me mais fácil encarar a realidade e seguir em frente, deixar como está é perpetuar a dor e o sofrimento, não quero isso)

Bom dia


Maggie

3 comentários:

Anónimo disse...

Foi uma acto de grande coragem. A primeira vez que tocamos nas coisas daqueles que amamos de pois de os perder é muito difícil. Mas chega um dia em que ficamos felizes por ter na mão um objecto com uma memória feliz.
Um abraço sentido, ainda que virtual.

MAG disse...

O carinho com que falas das coisas que a tua mãe tinha é tocante. Mostra o muito respeito e carinho que tinhas por ela. Muita força!

Sónia disse...

Lamento muito que tenhas perdido a tua mãe...não fazia ideia... Foste muito corajosa não sei se quando chegar a minha vez o vou conseguir fazer assim.
Beijinhos doces!!!