segunda-feira, outubro 05, 2015

do egoísmo que todos temos mas que uns têm mais acentuado do que os outros

E provavelmente a culpa é minha, é esta minha maneira de ser armada em forte que não ajuda, esta minha maneira de ser que me faz andar sempre para a frente mesmo quando devia ficar parada a descansar. Pensando bem não me lembro de alguma vez me ter dado ao luxo de sofrer á vontade. Não, coloco-me sempre numa posição de protecção aos outros para que nada se altere, para que apesar da minha dor as vidas á minha volta não sintam diferença. Sim, se calhar a culpa é minha que devia dar-me ao luxo de pensar mais em mim. Esta minha maneira de ser dá a ilusão de que estou sempre bem e que não preciso de um mimo, de atenção ou de carinho o que não é verdade, preciso. Se calhar devia dar-me ao luxo de ser mais egoísta, de pelo menos uma vez na vida mostrar que não estou bem, que ainda estou de luto. A minha mãe partiu há 4 semanas e estamos todos mais tristes, os dias passam e entre as rotinas diárias e os afazeres os dias sucedem-se quase com normalidade, o pior são as noites, aquelas em que me custa a dormir. As noites em que recordo os corredores do hospital, as palavras do médico e a imagem da minha mãe deitada na cama sozinha, ligada a máquinas quase desligadas. Os olhos mal fechados amarelados, o inchaço da cara, a pele branca e ela imóvel. Eu ali sozinha a olhá-la. Custa-me a dormir com esta imagem na cabeça, e sinto-me sozinha. Depois sinto um bebé cá dentro de mim a mostrar sinais de vida e lembro-me que por ele preciso seguir em frente, preciso alegrar-me e tentar dar-lhe uns 9 meses minimamente tranquilos, não é fácil mas prometo-me e prometo-lhe não me chatear. E fico magoada com a falta de sensibilidade dos outros, com a falta de atenção que me deviam dispensar mas que talvez achem que não é preciso. Parece-me que acham que 4 semanas é tempo de estar a saltar e a dançar, que 4 semanas chegam e que agora estou pronta para outra. E penso que isto não é gostar de alguém. Quem gosta cuida, preocupa-se, perde tempo e dá atenção. Eu chegada aos 40 anos estou a viver o melhor e o pior ano da minha vida mas sei cada vez mais o que quero, e sei que quem não me merece não merece que eu perca o meu tempo e que me desgaste. Está na hora de escolher bem as pessoas que realmente se preocupam comigo e olhar também por elas, as outras, as que figuram no mapa mas que servem para muito pouco deixo pelo caminho. Cansei-me de fingir que sou forte, que estou sempre bem e que nunca preciso de nada. Cansei-me de dar tudo em troca de umas migalhas. Cansei-me.

Penso nas minhas filhas e morro de medo de lhes faltar, e penso neste bebé e sei que as irmãs um dia se for preciso olharão por ele. Fico descansada, já não tenho mãe mas tenho filhos, a vida foi boa para mim. Obrigada a quem lá em cima olha por mim.


Maggie

4 comentários:

Anita disse...

sei bem o que sentes, a minha mãe já não esta ao meu lado há algum tempo, e essa dor, foi aumentando com o passar do tempo, pensei que atenuasse, mas não...a dor cresceu e cresce, as saudades matam, mas agarro-me a minha filha e tento continuar esta caminhada sem a minha mãe, que era muito importante para mim.
4 semanas e muito recente, muito mesmo :(
a tua mãe esta a olhar por ti e nao quer de maneira nenhuma que te vás abaixo, tens as tuas meninas e o teu menino à caminho, pensa nisso, agarra-te a isso, pois é isso que a tua mãe quer, que sejas feliz :)

beijinhos e força, muita força...

Nany disse...

Chegamos a uma altura na vida em que já não vamos em cantigas, em que nos conhecemos melhor e não nos apetece fretes.
Dar é bom, é mesmo, mas também é bom receber.
bjs e tudo de bom

Diana Machado disse...

são em momentos de desespero que melhor percebemos quem realmente está cá para nos apoiar :)

Rita_in_UK disse...

Olha Maggiezinha,
O conselho de quem já esteve lá em baixo e conseguiu voltar para cima - e, de repente, os "amigos" aparecem todos de novo porque és divertida, fazes jantaradas bem regadas ou dá jeito conhecer pessoas na empresa "x" - é que te rodeies de quem sabes que te quer bem.
Refiro-me àquela amiga que a seguir ao funeral da tua mãe se calhar apareceu em tua casa para te levar para as compras apenas para tentar evitar que ficasses enfiada na cama a chorar, à amiga que ao saber que estás com uma depressão, larga tudo (e olha que a minha tem 7 filhos e um negócio para gerir) e vai para tua casa fazer um "querido mudei o quarto" só porque sabe que querias muito dar uma volta àquilo. Hoje, se me perguntarem quem é a minha melhor amiga, não tenho a melhor dúvida. É que sabes? Ambas as situações acima (no meu caso, a morte foi do meu Pai), curiosamente, passaram-se com a mesma pessoa :). Os que só vêm para o "croquete", simplesmente irão deixar de ouvir falar de mim. Se quiserem, que me telefonem eles ;)
Bjinhs grandes,
Rita