quinta-feira, outubro 15, 2015

esta coisa tão natural que é ser mãe …


(acho que só quem não passou por isto consegue ver alguma boa nesta fotografia que tem circulado por toda a blogosfera, eu só vejo dor, desespero e montanhas de sofrimento. Solidão e muita angustia. Não gosto, acho chocante e uma fotografia assustadora)

é vivida com em casa com felicidade mas com normalidade. Por enquanto nada mudou, limpo menos e tento baixar-me o menos possível porque me custa, e também me custa subir as escadas mas vou devagar. Tenho a sorte de poder descansar o tempo que me apetece, seja esticada no sofá com o portátil ao colo, a ver televisão, ou só a ouvir musica. Não sou de me ir deitar na cama, não sinto essa necessidade. Levo-as de manhã cedo á escola, tomo um café e uma torradinha com algumas mães amigas, venho para casa orientar as coisas e descansar. Não gosto de grandes demonstrações de afecto com a minha barriga, não gosto que me mexam na barriga e que fiquem ali com a mão á espera que o bebé se mexa, encaro a gravidez como uma coisa intima e não ando obcecada a falar do estar grávida. Para mim é uma coisa natural, uma opção e por isso além de continuar a chamar-me Margarida, continuo a ser mãe das minhas filhas, mulher do meu marido e amiga das minha amigas. Não deixei de ser quem sou para ser a grávida. Eu continuo a mesma só que grávida, e não fui propriamente engolida por esta gravidez, nem por qualquer das outras, atenção. Passei pela infertilidade sim mas chegou-me não quero perpetuar em drama ou felicidade extrema uma coisa tão natural como uma gravidez. Sou uma mulher discreta, talvez seja isso e aborrece-me que a toda a hora o tema seja a barriga e como me sinto, e se ainda consigo fazer as coisas, e se já fiz este ou aquele exame, e se já comprei isto ou aquilo … Não percebo muito bem esta felicidade aparente dos outros pelas gravidezes alheias, sou estranha sim eu sei, qualquer grávida adora atenção e falar até não haver mais assunto sobre o tema mas eu não! Ahhh e também não tenho desejos, (nunca tive), ou melhor os meus desejos continuam os mesmos pelas mesmas malas, bijuterias e vaidades de mulher, de qualquer mulher não grávida! (talvez seja da anemia que não me larga, ahahahahahaha)

E diz que as gravidezes são todas diferentes, pois eu asseguro que as minhas têm sido todas muito iguais, sou uma chata sim eu sei.

Até mais logo


Maggie

2 comentários:

Inês Sousa disse...

Este texto do estado de grávida podia ter sido escrito por mim, porque partilho da examente das mesmas opiniões. Estar grávida é uma coisa normal que acontece há milhares de anos, por isso este circo em que muitas pessoas transformaram este acontecimento cria-me acima de tudo muita estranheza. Se calhar foi por ter crescido a ouvir histórias das minhas antepassadas que iam ter os filhos ao rio sem grandes alaridos e regressavam com eles a casa e ao fim de uma semana retomavam os seus afazeres. A si Maggie só lhe posso desejar uma boa hora. Bjinhos

Rita_in_UK disse...

Sobre a foto: Tem piada, que eu tendo passado por isso acho a foto linda, o verdadeiro retrato do amor de mãe. Todas as mães sofrem pelos seus filhos a vida toda, ou porque adoecem, ou porque estão tristes, ou porque tiveram um desgosto de amor, perderam o emprego... Nós, as mães da infertilidade e das picas, começámos a sofrer antes sequer de sabermos que eles existiam. Demos tudo para que eles viessem ao mundo, mesmo antes de os concebermos. Para mim, esta foto espelha perfeitamente até onde vai o amor de uma mãe:). Quanto à gravidez, sou o oposto, mas fica descansada que se te encontrar na rua não te mexo na barriga 😃. Tenho várias amigas como tu, mas eu cá exibia (tapadinha...) e deixava toda a gente acarinhar a minha barriga. Até há quem diga que a barriga duma grávida é "pública". Isso para ti seria um horror, lol. Bjinhs