sexta-feira, novembro 06, 2015

a minha mãe partiu há 2 meses …

e eu fiquei um bocadinho mais sozinha no mundo. Ficaram as memórias, as lembranças e as fotografias. Ficaram os ensinamentos, as ideias muitas vezes diferentes das minhas, os sonhos que tinha e que não chegaram a realizar-se. Ficámos cá nós para continuar o caminho. E ficámos bem, já somos crescidas. Olho para as miúdas e vejo que seguem o seu caminho também, sem questões, duvidas ou angustias. A vida é como é. Depois olho melhor e reparo que aprenderam comigo e agem como eu. Sem dramas a nossa vida segue feliz. E este bebé ao contrário do que as pessoas pensam e me chegaram a dizer: "ai coitada e agora grávida?!", vem quando tinha que vir, tenho 40 anos, não tenho 10. A minha mãe sempre teve problemas cardíacos, e nós sabiamos que mais tarde ou mais cedo ficaríamos sem ela. Foi um choque na altura claro, não tínhamos a noção de que já estava muito mal, mas temos que aceitar. Somos adultos e é como adultos que temos que nos comportar. Aceitar e até agradecer. Tantos anos em que vivemos felizes, muito felizes, tantos anos em que nunca tivemos aflição nenhuma, nunca houve ambulâncias á porta de casa, nunca recebemos nenhuma chamada do hospital a dizer que tinha lá chegado de urgência, … fomos muito felizes sempre. Com a nuvem a pairar em cima sim, mas sempre esteve tudo controlado. Nunca vivemos em sobressalto. Eu cresci cedo, sabia que tinha que ajudar e isso também fez de mim a pessoa que sou hoje: desconfiada, desenrascada e despachada. Com o tempo fiquei mais leve e mais serena e é assim que me sinto hoje. Agradecida por felizmente a minha mãe ter partido sem se aperceber e agradecida por tudo o que fez por nós. Não sou de dramas, sou de cair e levantar-me sozinha, sempre foi assim. Não tinha publico para dramas, talvez tenha sido isso. Sou muito critica, a minha mãe não era uma santa nem era a melhor mãe do mundo mas era a que eu tinha e com o tempo aprendi a aceita-la como ela era. Era a minha mãe. Vaidosa, pretensiosa e ás vezes pouco humana mas era a minha mãe. Um dia eu também vou cá deixar as minhas filhas e o meu filho e só quero que eles se lembrem sempre de mim, não é preciso chorarem muito, é preciso seguirem em paz com as suas vidas como eu hoje sigo com a minha. É preciso que sejam críticos, que não digam amén a tudo o que eu ensinei mas que saibam usar esses ensinamentos para serem felizes e fazerem os outros felizes. É esse o papel da mãe, a minha cumpriu o seu papel na perfeição e eu espero conseguir fazer o mesmo com os meus. A minha mãe não dava sempre colo, nem nos passava a mão pelo pêlo a toda a hora, a minha mãe preparou-nos para ficarmos sem ela desde cedo e conseguiu. 

Um beijinho mãe, até um dia.



Maggie

7 comentários:

Bi disse...

Glup... :(

ana disse...

Muito bem, Maggie. Assim se vê a maturidade e um luto que está a ser feito como é suposto, com saudade e dor, mas também com serenidade. Uma abraço.

AvoGi disse...

A minha mãe tb não era uma mãe babosa com os filhos. A vida fo-ilhe madrasta.
Kks :=>)

TheNotSoGirlyGirl disse...

:/
estás de luto, é normal tudo o que estás a sentir. Desejo-te muita força! beijinhos

Rita_in_UK disse...

Sem palavras... Beijinho ❤

Mamã Petra disse...

Olá Maggie,

A minha mãe partiu há quase 4 meses, e quando li este texto, parece escrito por mim, a minha mãe preparou-me desde cedo para cair e me levantar sozinha, sou forte, desenrascada e sem medos tolos, o devo á minha mãe e desde cedo que é isso que quero deixar aos meus filhos, serem felizes com a vida para a frente, não sou de dramas porque como tu dizes fui educada sem publico para os mesmos, logo seriam inúteis. Tenho saudades muitas, mas há 10 anos que estava doente e os últimos 4 sem um único minuto de lucidez, eu devia de estar preparada mas não estava, mas depressa me levantei e vida +ara a frente. Parabéns pela mãe maravilhosa que tiveste e que és graças a ela, o melhor legado que nos podem deixar é uma boa educação.

Beijinhos

Nany disse...

Estás em paz e isso é a melhor forma de estar.
bjs