segunda-feira, novembro 02, 2015

eu também era uma cabeça no ar, curiosamente hoje sou uma pessoa com os pés bem assentes na terra!

Agradeço as mensagens que recebi, claro que cada criança é diferente, cada criança tem o seu ritmo e cada criança aprende de modo diferente. Eu tenho duas crianças e sim também tenho duas experiências distintas, uma é demasiado aérea e a outra é daquelas que apanha tudo, sem ser demasiado caladinha ou certinha, pelo contrário. O que eu queria ouvir era uma resposta mais profissional e mais directa, queria saber qual o limite do razoável em numero de horas de estudo? serão duas horas por dia ou podemos insistir até uns 4 horas non stop? Fiz o exercício de andar 30 anos para trás, encontro o Nuno, o Sergio,  a Elsa, a Ilda, a Carla e a Helena, vejo outras caras das quais não me recordo o nome, e penso que se a minha mãe tivesse ido todos os meses ás reuniões com a minha professora ouviria o mesmo: ela é muito distraída, muito cabeça no ar, precisa de ter mais atenção! E foi por isto (de ser distraída, de ter pouca concentração, de ser aérea, …), que fui trabalhar para um salão de cabeleireiro quando acabei o 9º ano? foi isso que me fez não passar de ano duas ou três vezes? Não. Apesar de não ter sido um pequeno génio na primária fiz a escolaridade completa sem nunca perder um ano. Entrei na universidade e não conclui o curso por outras razões que não a distracção, a falta de concentração ou o facto de ser aérea. É por isto que não gosto de adjectivar alunos de 1º ciclo para a vida, porque mudam, os miúdos e a vida. 
Eu sou das pessoas mais terra a terra que conheço, sei bem o que quero e cada dia sei melhor para onde vou, e tantas cabeças de 10 anos que ficaram lá atrás … Fico decepcionada por saber que em 30 anos pouco ou nada evoluiu na cabeça dos professores e educadores portugueses. Parece que andamos a ver se vislumbramos aos 9 anos futuros cientistas (esta ouvi na sexta feira, há um futuro cientista na sala de uma das minhas filhas, um génio), engenheiros, e médicos, …
Anda tudo demasiado preocupado com o futuro profissional das crianças, dando nenhuma importancia á educação e á formação dos futuros adultos. É por isso que fico enjoada quando ouço elogiar uma criança que já lê ao fim de 1 mês e meio de aulas no 1º ano, uauuuu que fenómeno, isto dos génios aos 6 anos dá-me sempre urticária. E lembro-me da minha irmã que praticamente nem fez primária, ou porque passou anos doente, ou porque chorava muito e a minha mãe ia busca-la mais cedo, ou por não gostava de ir á escola e a minha mãe levava-a para o trabalho. Curiosamente, desenvolveu mais tarde um gosto imenso pelo estudo, tanto que depois da licenciatura terminada já fez mestrado e agora está no doutoramento, e é para continuar sempre a estudar. Diz ela, que se tivesse hipótese financeira de não trabalhar gostava imenso de continuar a investir na universidade …


Maggie

3 comentários:

Rita_in_UK disse...

Nem me vou gabar do meu geniozinho que aprendeu a ler sozinho antes de entrar no 1° porque a urticária deve custar mais a curar em grávidas 😊. Olha Maggie, eu nunca estudei com nenhum dos dois, sempre os responsabilizei pelos seus sucessos e fracassos. Dou uma olhadela nos tpc para não ir tudo mal feito, mas o resto deixo com quem sabe. Digo isto muitas vezes: Daqui por 30 anos a gente conversa e logo se vê 😉. Bjinhs

ana disse...

Eu não sei se as professoras hoje dão assim taaaanta importância aos resultados académicos (leia-se, resultados em avaliações formais) ou se estás a ajuizar baseada nos critérios de performance de escolas privadas, cujos lucros dependem da capacidade de atração de pais de classe média-alta e alta, ansiosos por ter geniozinhos em casa, futuros altos quadros da sociedade (porque afinal ter sucesso na vida é ter um trabalho muito bem pago, certo? ironic mode on).
A vida no 1º ciclo das minhas filhas foi uma coisa bem descontraída e feliz, sem pressões de espécie nenhuma. Elas aprendiam bem, eram inteligentes e bem integradas socialmente e isso chegava-me. A mim e aos outros pais, que embora fosse uma escola pública, uma grande percentagem eram filhos de licenciados, gente sem grande dinheiro mas com formação e capacidade para acompanhar os filhos. E os menos favorecidos não eram piores por isso, mesmo o Joaquim, de etnia cigana, tinha resultados bem aceitáveis. A Prof. Inês achava piada a todos.

Anónimo disse...

Curiosamente eu fui a maior louca da escola mas sempre fui amiga de todos e hoje sou a única q tenho uma excelente vida, um marido daqueles mesmo impecáveis e duas filhas q só me dão alegrias e já lá vão 17 anos de casamento :))))
As minhas amigas que eram tão cheias de si desde a beleza física, os bons colégios e o muito dinheiro ..hoje são bem colocadas nos empregos mas tb são divorciadas, andam de em cama em cama desesperadas por um homem.. os filhos são mal educados e arrogantes.. etc etc