quarta-feira, janeiro 06, 2016

a importancia de andar na escola primária …

e a importância das notas escolares numa idade ainda tão precoce. 
Estou a meio das reuniões escolares do trimestre das salas das minhas filhas. Ontem foi uma, hoje será a outra. Na prática vai dar ao mesmo, as queixas e os louvores são praticamente os mesmos, com a diferença de que a professora da mais nova não é tão dramática. Talvez por ser mais nova, não sei. 
Ao longos destes anos em que estão no 1º ciclo tenho-me apercebido de que alguns pais babam a falar dos filhos que estão no 1º, 2º, … como se eles fossem pequenos génios e tivessem tido uma excelente nota que lhes garantisse a entrada em medicina. Depois também me apercebi que os pais que dão mais importância ás notas, ou que puxam mais por eles no estudo para os testes são os pais com menores habilitações. Os "pais mais estudados" acabam por ser mais descontraídos. Atenção que então acho mal que os pais fiquem contentes quando os filhos têm boas notas, não é isso e não me interpretem mal, só acho que se dá demasiada importância a um tema que deveria ser gerido de forma mais natural. Há um envolvimento demasiado entre os pais e a escola e há uma mistura de papeis que já passa dos limites. Devem os pais envolver-se tanto? devem os pais estudar com eles? devem os pais saber tudo o que se passa na escola? não sendo nada escabroso eu não preciso de saber tudo. Nunca os pais souberam tanto dos filhos como hoje, e esta "intromissão na vida deles" não lhes deixa espaço para serem autónomos como eram as crianças de há 30/40/50 anos. Tenho amigos com filhos que passam os fins de semana a leva-los a festas e a atividades extra, como se o mundo fosse acabar e as crianças tivessem que ir a todo o lado. Tenho amigos que quando os filhos têm testes não saem no fim de semana anterior porque as crianças estão a estudar, falamos da primária, é preciso ficar um fim de semana inteiro a estudar? ainda que esse estudo garanta uma boa nota? Afinal já não se brinca na primária? a mim parece-me que se brinca muito pouco infelizmente. Chegar á primária hoje significa atingir uma idade em que a escola ganha uma importância que não devia ter, parece que os pais andam todos com medo que os filhos ainda tenham que voltar a plantar batatas. É uma ansiedade que paira no ar.
Aqui em casa tenho duas crianças normais, (daquelas que gostam de brincar), mas que não são excelentes alunas, são alunas boazinhas. Vão cumprindo as metas e atingindo os objectivos escolares. São melhores numas áreas e mais fracas em outras, mas vão andando sem grandes pressões dos pais. Há de chegar o tempo em que precisarão de se esforçar, em precisarão de estudar tardes e dias inteiros mas esse tempo não será ainda na escola primária. Pelo menos cá em casa.

Bom dia


Maggie 

6 comentários:

Vidas da Nossa Vida disse...

Só vou entrar nessa aventura em Setembro, mas parece-me a mim que o mais importante é manter neles a curiosidade natural e a vontade que à partida todas as crianças têm de aprender. O gosto pelo saber é fundamental para a vida.

Maggie F. disse...

pois, só que as crianças não são todas iguais. É preciso conseguir chegar a elas e surpreende-las. Só boas notas é pouco e a escola deveria ser muito mais.

Bjos

Maggie

Nany disse...

Eu considero-me uma mãe no meio termo. Sou preocupada, quero saber o que se passa na escola, mas não as conversas todas e as brincadeiras todas, é um saber geral: aquilo que estão a dar a nível de matéria, como é que correram as coisas etc e tal. Só que não todos os dias, os meus filhos não têm de me fazer relatório diário daquilo que fizeram.
Tento incutir métodos de estudo, de trabalho. Uma forma de organizar o tempo para saberem gerir trabalho/diversão.
Quero saber das notas, o que é mais fácil, mais difícil.
Cada criança é única, e sei que aquilo que funciona com um não funciona com outro.
Bjks

Mãe Sabichona disse...

Completamente de acordo! Excepto na questão das habilitações. Já conheci muitos pais com elevados graus académicos que esperam o mesmo dos filhos. Talvez a grande diferença é que são mais subtis na exigência. Não o dizem directamente mas têm expectativas que são demonstradas indirectamente. E as crianças sentem-no perfeitamente ainda que de modo inconsciente.

Maria do Mundo disse...

Não vejo mal nenhum em que os pais babem com as notas dos filhos. Eu tenho muito orgulho numa das minhas filhas porque é excelente aluna devido ao seu grande trabalho e esforço. A mais inteligente é mediana, não me deixa tão orgulhosa porque podia ser muito melhor se se esforçasse o mínimo.

ana disse...

No 1 ciclo nem olhava lá muito bem para as avaliações...só no 4 ano e por estarem em fim de ciclo e ano de exames. E deixam me as duas orgulhosas, a que é excelente e a que é 'apenas' bastante boa. Nenhuma trabalha assim muito, são responsáveis e conscienciosas, não lhes peço mais. Se se matassem a estudar tão novas era mau sinal - como seria lá mais para a frente? Jovens obcecado pelo estudo serão adultos muito limitados...