quinta-feira, maio 05, 2016

até onde pode ir a mesquinhez? ou a discussão do fim do apoio do Estado aos colégios privados com contrato de associação

Toca-se neste tema e aparecem logo os defensores do dinheiro publico. Que acham mal, que quem quer luxos que os pague, que a escola publica é óptima e que vagas na rede publica é o que não falta. De repente uma maioria que tem os filhos na escola publica decide onde é que o dinheiro pode ser aplicado, só na escola publica. E lêem-se comentários que roçam a mesquinhez e a pobreza de espirito e de humanismo! Proponho então que se acabe com um estado assistencialista, que isto de acabar com benefícios a alguns é pouco, o melhor é mesmo acabar com os benefícios de todos, se quisermos ser justos. Vejamos, ora eu também posso achar que o Estado não deve apoiar os lares de idosos, que quem quer pôr os seus velhotes num lar que pague, que quem quer livros escolares que os pague, acabe-se também com os apoios aos hospitais e ás farmácias, que se acabe com os abonos de família e todas as outras prestações sociais, que se acabe com licenças de maternidade, de paternidade e de adopção, que se acabe com as isenções das grávidas, das crianças, e de quem provar não poder pagar, que se acabe com os apoios a instituições que acolhem os mais frágeis, que se acabe com tudo o que beneficia do dinheiro publico, que se acabe com o estado social. Parece que afinal são tudo luxos, ou será só a escola privada? ou será que somos assim tão egoístas que só consideramos luxos aquilo de que não beneficiamos?
"Quem quiser luxos que os pague", dizem os iluminados que abominam a escola publica, Eu proponho então acabar com tudo para ser mais justo, sim que isto de decidir acabar com uns benefícios e deixar outros também não me parece certo. Caminhamos a passos largos para uma sociedade mais triste, mas caminhamos convictos de que fazemos o bem. Enfim …


Boa tarde


Maggie

12 comentários:

Maria do Mundo disse...

A questão vai muito para além da mesquinhez... Vai por uma questão de princípio: sou contra o ensino privado e pronto. Tenho, felizmente, amplas possibilidades de ter as minhas filhas num bom colégio privado, mas não quero. Não quero porque acho que o Estado tem o dever de assegurar o ensino gratuito a toda a gente e que toda a gente deve frequentar um ensino público, com melhores condições. Não há pobreza de espírito. Há formas de estar e de pensar. Para mim só devia haver ensino público, até porque o ensino privado não é um luxo, é um ensino que por vezes, fornece outro tipo de actividades e regalias que o público não fornece e, por isso, os pais o escolhem. O que eu acho verdadeiramente, é que o ensino público deveria fornecer todas essas opções. Quanto ao mais, estou muito satisfeita com o ensino público, onde sempre andei (apesar de filha única, dos meus pais terem possibilidade de me pagar um colégio privado e de na minha cidade natal existirem dois óptimos colégios privados), onde toda a minha família andou e onde andarão sempre as minhas filhas. É uma questão de postura, não de mesquinhez ou falta de humanismo.

Conceição disse...

Deixou se estar nos meus favoritos (não que interesse para alguma coisa)...

Maggie F. disse...

Querida Maria do Mundo, tu tens a tua postura e eu tenho a minha. Em nada chocamos, eu respeito a tua postura e tu a minha. O que falo não tem a ver com a postura de cada um face ao tema mas dos comentários feitos nas redes sociais quando o tema apresentado é este. Comentários mesquinhos e de má índole, para mim. Eu sou a favor de qualquer pai poder escolher onde coloca os filhos, como também sou a favor da nova regra de se poder escolher agora um hospital onde se quer se tratado, inclusive hospitais particulares que já têm acordos com segurança social e adse.

Beijinho

Maggie F. disse...

Quanto á Conceição, tenho pena que se vá embora mas importa esclarecer que o meu blog é apenas o meu blog. Não se trata de um blog que viva de publicidade, parcerias ou divulgações de espécie alguma. Este blog é livre como eu, e num país livre como este ainda é as opiniões de cada um são isso mesmo, de cada um. Partilho o que quero e o que me apetece, sem censuras ou medos de alguma coisa. Sou livre.

Até um dia destes


Maggie

ana disse...

Não me parece que estejas a ver bem a questão. Não tenho nada contra o ensino privado, penso que tem o seu lugar e o seu papel, mas não deve ser apoiado com dinheiros públicos quando existe oferta no ensino público. Não é uma questão de mesquinhez, mas de gestão de recursos. Quando o Estado paga tratamentos médicos no privado, fá-lo porque não tem capacidade de os oferecer no público, e o mesmo acontece com os subsídios a lares de idosos ou creches. Se existe rede pública, é esta que deve receber os recursos. (A ADSE é totalmente diferente, é auto-sustentada pelos trabalhadores e o Estado não mete lá um cêntimo, aliás, até vai buscar os lucros)
Acho muito bem que existam escolas privadas, financiadas pelos seus clientes, que são os pais dos alunos, como em qualquer outra empresa que visa o lucro. Mas não quero que os meus impostos sirvam para que essas empresas tenham lucros. Também não peço ao Estado que pague as aulas de equitação da minha filha, ou as aulas de natação, ou o centro de línguas...são opções nossas, pagas por nós.

Maggie F. disse...

Na escola das minhas filhas há meninos que são subsidiados precisamente porque não há vagas na escola publica! Não me choca que lá andem sem pagar, se formos a ver assim então também me parece errado que se usem os meus impostos para as escolas publicas e hospitais públicos que eu não frequento. Acho que este pode ser um caminho perigoso!

Beijinho

ana disse...

Mas os contratos de associação só não serão renovados se houver vagas na escola pública. Se não houver continuam. Parece me bom senso.

Susana Nunes disse...

Gosto do seu blog, que visito de vez em quando. Nunca comentei, mas hoje não posso deixar de o fazer. Não me parece que o apoio do estado aos hospitais ou lares seja a mesma coisa do apoio a escolas privadas com contrato de associação. Aí não há oferta, ponto! Logo, tem que se recorrer ao privado! Já no que concerne as escolas públicas são muitos os exemplos de escolas sem alunos, com salas fechadas, tendo capacidade para receber muitas das turmas que o estado financia, com os impostos de todos, nas escolas com contratos de associação. Considero e defendo, que se há vagas nas escolas públicas, não deve haver financiamento de escolas privadas. Mais, nas escolas públicas, onde há cada vez menos alunos, os professores afetivos continuam lá, sem turmas, sem dar aulas, com horário zero e a receber salário! Isto enquanto poderiam estar a lecionar! Muitos destes docentes são muito bons profissionais, com muita experiência! E isto é justo? É uma questão realmente polémica! Não sou contra as escolas privadas, quem quer lá ter os filhos que pague, simples! Quem não quer pagar tem oferta nas escolas públicas! Quando esta não existe o financiamento está garantido, qual a dúvida? Esses colegas das suas filhas que são subsidiados assim continuarão, desde que não haja vagas nas escolas públicas! Já agora nunca percebi esta preferência pela escola privada. Tem melhores docentes? Posso garantir que não têm, sei como muitos são contratados, ao contrário dos professores que estão no público. Aliás, há vários estudos que comparam o desempenho dos alunos na universidade, vindos de escolas públicas e privadas e os que vêm do privado têm muito mais dificuldades em acabar os cursos e em ter um bom desempenho comparativamente com os alunos que fizeram todo o percurso no público. É do conhecimento público que a avaliação que os alunos nas escolas privadas têm no final do secundário não corresponde à realidade! Muitas notas são inflacionadas! Tenho um filho que anda na escola pública, apesar de ter capacidade financeira para frequentar um colégio privado, mas não quero este tipo de ensino para ele!
Susana

AL disse...

O Estado, esse saco grande onde cabe tanta coisa, deve conseguir garantir o “tendencialmente gratuito” da educação, saúde, protecção social, justiça e tantas outras coisas.
Enquanto cidadã e pagadora de impostos devo poder ter hipótese de ser tratada das maleitas que me assolam, ter educação para os meus filhos e apoio para quando for velhinha em locais que cumpram as regras do estado. Poderei ainda ser chamada a contribuir para além dos meus impostos (através de prestações, propinas, taxas moderadoras) para ter um sistema fiável, e com garantias de qualidade.
Agora não pode haver maternidades em cada esquina. Não pode haver escolas para 5 alunos. Não pode haver listas de espera de anos na saúde. Não pode haver idosos desamparados quando mais precisam. Então aí o estado deve intervir colmatando as falhas que houver de forma equilibrada, justa e socorrendo-se do privado.

Estado social não é a protecção do privado, mas sim do cidadão dando-lhe hipótese de ter os mesmos direitos de forma igual e justa quer viva no interior ou no litoral, quer seja novo ou velho, saudável ou doente.

Voltando à educação para o ano a filhota terá 5 anos, o Estado é obrigado a arranjar vaga para a colocar no pré-escolar. Mas…há sempre um mas nestas histórias, a maior parte dos locais encerram muito antes dos pais saírem do trabalho, levando a que muitos sejam forçados a pagar ATL´s.
E esse é o único motivo que me leva a ponderar colocá-la no privado, pois entre horários desajustados + ATL´s + férias bastantes superiores às que os pais têm direito se calhar fica mais barato colocá-la no privado.

Quanto à ADSE acho que vai uma grande confusão nessa cabeça.
Por um lado e como já aqui disseram é autofinanciada pelos trabalhadores, por outro lado e para muitos (é o meu caso) é um seguro de saúde adicional. Muitos trabalham para o Estado e descontam para a Segurança Social (tendo direito à proteção social por esta via) e por via do orçamento de Estado têm acesso ao SNS.
Todos os residentes (atenção, não falo de cidadãos, mas sim residentes) têm direito ao SNS. Não precisam sequer de pagar impostos, basta residirem, é um serviço universal no sentido mais literal do termo.
Acontece que muitos socorrem-se de seguros de saúde, e outros tiveram a hipótese de ter esse seguro extra contribuindo com 3.5% do seu vencimento 14 vezes por ano. A título meramente ilustrativo pago por ano 540 euros de seguro de saúde e 1020 de ADSE. Ou seja, a ADSE é mais cara que a maior parte do seguros correntes no “mercado”, tem uma grande vantagem, se não falir entretanto dá-me cobertura para lá da idade que os seguros estão a dar.

Acho que os contratos de associação devem ser revistos, de forma constante. São a solução para muitos problemas, mas não devem ser instrumento para os donos da escola enriquecerem.
E acho de muito mau tom professores, directores e pais usarem os alunos como carne para canhão.

Maggie F. disse...

Quanto ao negócio dos hospitais suponho que tenham lido as noticias de hoje: no Algarve (não é só no Algarve), há cirurgias a serem feitas no privado porque o publico não tem capacidade para as fazer, e o estado paga para que sejam feitas o privado claro, mas isto não interessa, dá jeito a todos!

Beijo

Maggie F. disse...

Ora cá está Angélica o cerne da questão: muitos pais colocam os filhos no privado precisamente pela mesma razão que tu hoje ponderas na hora de arranjar escola para a tua pequenita. Eu frequentei o privado por isso mesmo, e há 30 e tal anos o horário da escola publica era até mais reduzido do que hoje. Frequentei a privada e a publica por isso sei do que falo e por isso optei por ter as minhas no privado. Pago por inteiro mas não é por isso que acho mal que outros que podem menos paguem menos ou não paguem. No meu concelho há falta de oferta de escola publica, tanto que ate a Junta de freguesia oferece 10 inscrições por ano a quem não tem vaga no publico e não consegue pagar o privado, tipo bolsa de estudo. A escola que as minhas frequentam tem contrato de associação, há quem pague por inteiro, há quem receba alguma coisa no final do ano (contratos de desenvolvimento),, e há meninos subsidiados que nada pagam (vivem sem pais numa instituição na rua da escola). Beijinho Maggie

doida disse...

A minha sogra está num lar privado (porque quer) e paga!!!!
Sei, de fonte fidedigna (irmã e cunhado que são professores num colégio com associação, que o que é pago pelo ME dá para manter mais turmas gratuitas para além do previsto
!