sábado, agosto 27, 2016

esta minha insatisfação é hereditária

Sou pouco dada a rotinas, gosto de ver outras coisas, de descobrir outros cantos, de ver outras caras. Aprendi desde pequena que o sonho comanda a vida e que o sonho é metade da felicidade até chegarmos ao destino. Ensinaram-me a sonhar e eu aprendi que assim os dias levam-se melhor e que a vida fica muito mais leve. Acredito em pessoas felizes que não sonham, acredito que se possa ser feliz sem ver mais nada do que aquilo que já se conhece mas essa não sou eu. Preciso do novo e da descoberta como preciso de oxigénio. Serão mais felizes as pessoas que não sonham?
Aqui há uns dias um amigo dizia-me que lhe basta dormir o dia todo e comer peixe assado para ter umas boas férias e eu acredito que sim, mas eu preciso de mais, sou exigente.
Não me bastam o sol pela manhã nem os campos verdes que vejo da minha janela, preciso de declarações de amor todos os dias.
Desde miúda que via os meus pais sonharem alto, Paris, eram loucos por Paris. Podiam ter ido a outros sítios mas acabavam sempre em Paris. Depois passámos para Sevilha e eram meses a sonhar e a decidir o que ver e o que fazer quando lá chegássemos. Córdova, Cadiz, Granada, …
Férias numa aldeia perto de Santarém em casa de uns amigos dos meus pais era uma alegria. Falava-se alto lá em casa, a minha mãe contava como decoraria aquela casa se a casa fosse dela, e eu lembro-me de descobrir os livros infantis na biblioteca do tio JM…
E as férias na Costa Nova, em casa de outros amigos? outra festa e mais meses e meses a falar do mesmo, todas as noites depois do jantar quando nos juntávamos na sala, até ao dia de lá chegarmos, e depois quando voltávamos era a excitação das fotografias. 
Os meus pais não eram pessoas paradas, saímos sempre ao fim de semana. Ainda não havia shoppings em Portugal, ía-se ao Jardim Zoológico, ao Aquário Vasco da Gama, visitavam-se museus, exposições de pintura e escultura, passeava-se e almoçava-se por Lisboa, na Graça. Dávamos uma voltinha na Feira da Ladra. Íamos a Sintra, andávamos de coche e entravamos em quase todas as lojas de antiguidades. Andávamos muito a pé e sabia tão bem.
Fui habituada a mexer-me, herdei o gosto pelo convívio e pela conversa do meu pai e a insatisfação da minha mãe. Isto para dizer que já ando a sonhar com as férias do ano que vem, que embora ainda muito longe preciso de sonhar com elas para me sentir mais calma e sossegada. 
(As férias do ano passado foram fantásticas mas as deste ano souberam a pouco, com o bebé pequenino não arrisquei ir para longe. Arrependi-me, o miúdo é um espetáculo podíamos ter ido. Fica para o próximo ano, já ando à procura e a sonhar com uns dias inesquecíveis).

Boa noite



Maggie

1 comentário:

Xica Maria disse...

Uma boa infância. A minha não foi nada assim. Lembro-me dos meus pais a trabalharem sol a sol. Nunca fui de férias para lado nenhum nesse tempo. Mas fui feliz.
Sonha que sonhar faz bem e concretiza!