terça-feira, novembro 29, 2016

já vi a minha filha ir mais feliz para a escola …


Ontem quando a fui buscar vinha de lágrimas nos olhos, um drama por causa do teste de português. Eram só queixas, ou porque o teste era grande demais e tinha dois textos e por isso muitas perguntas de interpretação, ou porque também tinha cruzes, ou porque se esqueceu de um passo que era pedido para a composição e que ela saltou. Já fazia contas de cabeça porque assim não ia conseguir ter os 30 pontos que valia a composição. Também dizia que foi a ultima a entregar e mesmo assim não conseguiu fazer tudo mas teve que o entregar … enfim, um chorrilho de dramas misturados com lágrimas. 
Ora a ver, não se trata de um exame nacional de acesso ao ensino superior, trata-se de um teste de português do 1º período da 4ª classe, por isso não entendo os dramas nem as lágrimas. Não entendo a pressão que se coloca nos miúdos e não entendo os pais que se substituem aos professores e decidem massacrar a vida estudantil dos filhos. Uma coisa é ajudar ali numa matéria mal entendida, orientar a história de uma composição, outra coisa é obrigar os miúdos a trabalhar como se a matéria escolar fossem trabalhos forçados. Sim, há pais que para além dos trabalhos de casa que os filhos levam ainda lhes aplicam uns tpc's extra, disse a professar há 2 semanas, numa reunião.
Sempre lhes disse que uma coisa é estudarem e fazerem o melhor que elas conseguirem, outra coisa é encarar um teste (fará tantos na vida) como se disso depende-se o seu futuro. Não depende. A escola primária não define um aluno nem lhe traça o futuro. Não me venham com a conversa da importância de uma boa primaria, tantos pais com este discurso, porque a minha irmã quase nem fez primária e foi sempre uma excelente aluna, sempre adorou estudar e se não precisasse de dinheiro para pagar as contas acredito que a vida dela seria dedicada a estudar. A escola também serve para socializar, para brincar, para aprender a respeitar os outros, para ajudar na preparação para a vida adulta. Não gosto de ver miúdos da 4ª classe em lágrimas por causa de um teste, não me faz sentido.
Gosto sempre de fazer este pequeno exercício que todos os pais deveriam fazer: onde estão hoje os meus colegas sabichões da primária? Lembro-me de vários, dos nomes e das feições, e se duvidas houvesse não me faltam fotografias para ir tirar duvidas. Não reconheço nenhum daqueles que eram inteligentíssimos, (os melhores da sala), no governo, na televisão, no jornalismo, como deputado, ou falar em nome de qualquer Ordem. Interessante, não? 

Vejo a miúda desanimada e arrependo-me de não a ter mudado de escola.

(para mim são estes os maiores desafios da maternidade)

Bom dia


Maggie

3 comentários:

Nany disse...

Eu acho que uma boa base é importante. A escola primária serve para isso e faço com que o meu filho o entenda. Que perceba que as coisas que a professora pede são para serem levadas com seriedade.
Agora, o grau de intensidade da seriedade é que é para ter em atenção: ele faz os tpc's no fim de semana, porque a professora só manda na sexta e combinamos a melhor forma de o fazer, ou seja, se quer despachar logo na sexta ou faz no sábado ou domingo, até chegamos a repartir pelos dias.
Para os testes, ele tras os tópicos e fazemos exercícios.
Sim, quero que ele seja bom aluno, porque ele consegue. Mas não tem de ser o primeiro da turma, o primeiro a acabar ou a ter 100% em tudo.
Quero que aprenda a ler correctamente, a escrever sem erros e a ter um bom cálculo mental, mas não me preocupo nada que ele não seja aluno de quadro de honra. Mais vale ser uma pessoa de honra.
Bjs

Rita_in_UK disse...

Eu por acaso reconheço vários dos bons alunos da minha primária em bons lugares em grandes empresas ou como empresários de sucesso. Não acho que aparecer na TV ou pertencer ao governo seja o sonho de alguém com boas notas, lol. Bjinhs

TheNotSoGirlyGirl disse...

oh :/

ey acho que os miudos são demaisado pressionados nas escolas. nao deviam. especialmente nessas idades. coitadinha. essa frustração é horrivel. :/

beijinho
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