quarta-feira, março 01, 2017

podia vir falar do Carnaval, mas não …

Hoje venho falar de luto, de dores, de mágoas e da leviandade que é virar as costas aos outros e seguir o seu caminho. Não é para mim, nunca virei as costas aos outros, não quando gostam de mim e me querem bem. Quando me atraiçoam sou a primeira a cortar, se não estou lá para quem precisa, não sou pessoa muito dada mas quem me é querido pode sempre contar comigo. Não falho. Posso falhar com as minhas obrigações menores, mas não falho com quem espera que eu lá esteja e estou. 
Há uns tempos li que um luto normal leva 2 anos a fazer-se, pode ser, eu não sei o que é um luto normal mas no meu caso levou quase 18 meses o luto da minha mãe. E agora que finalmente estou mais serena ficou o meu pai doente. E eu não descanso, pelo meio perdi uma irmã e uma tia. É fácil ser feliz e sorrir todos os dias quando tudo na nossa vida anda sobre carris, quando já não há carris é que é pior. A vida já não flui com a mesma naturalidade, os sorrisos já não saem tão facilmente e tudo o que já sabemos ser fútil, torna-se ainda mais fútil, e perder tempo com futilidades é coisa que nem apetece. Não quando temos preocupações maiores. 
Não sou pessoa forte, ou se calhar sou e não sei mas sou pessoa para aguentar o barco à deriva e no fim do percurso quando estivermos todos a salvo ir abaixo, mas só no fim. Durante o percurso mantenho-me aparentemente calma e resolvo tudo com naturalidade, tento encontrar as soluções ainda quando nem há problema. não gosto de ser apanhada de surpresa, gosto de ter tudo controlado, pelo menos dentro da minha cabeça. O meu pai está doente mas eu estou decidida a aguentar mais este barco e o tempo que lhe restar será o melhor que lhe poderei proporcionar. Não ficará sozinho, estarei lá com ele.

Não se pense que este post é um post triste, não é, é um post da vida real que muitos fingem não viver, ou ignoram mesmo, é que fica mal na fotografia da família feliz que é a blogosfera portuguesa. 

Até logo



Maggie

6 comentários:

J* disse...

Dura é o que a vida é às vezes! Teima em ser dura, e magoar-nos fazendo-nos crescer rapidamente, e sem conseguirmos olhar para trás!
Muita força para conseguir atravessar todas essas adversidades!
https://jusajublog.blogspot.pt/

Cátia Martins disse...

Tem toda a razão! Eu perdi a minha mãe ja tem uns anos e hà certas coisas na vida que vejo de maneira diferente. E depois vem aquelas pessoas que estão sempre de bem com a vida e sorridentes...(finjidas) depois descobrimos que não è bem assim...nao entendo porque têm de fazer sempre que està tudo uma maravilha na vida delas....enfim...beijinho

marina maia disse...

Maggie se passares hoje pelo meu blog, verás como eu estou triste...não me perguntes porquê, mas hoje, sobretudo hoje sinto uma tristeza infinita, por tudo e por nada, pela injustiça da vida, das pessoas que me magoam e nem querem saber, pelo desligarem-se das pessoas como se fossem roupas velhas...hoje, especialmente hoje, sinto-me triste...
Quanto ao teu pai...tu sabes perdi o meu...quando o já tinha perdido há muitos anos, foi duro, ainda é, mas faço-me forte...

Adoro ver as fotos do Manel...beijinho

Nany disse...

A vida não é sempre cor de rosa. Aqueles que dizem que não tem mais cores mentem a eles mesmos. Não confio em quem vive sempre feliz, o que muitas das vezes se confunde com optimismo. Ter um progenitor doente não é pêra doce e desejo sinceramente as melhoras do teu pai. Bjs

ana disse...

São momentos complicados, mas pelo que sei de ti vais estar mais uma vez à altura e vais superar mais esta dura prova. Os teus pais formaram um ser humano sensível e corajoso, que os soube/sabe apoiar quando mais precisam. E isso é uma enorme felicidade. Abraço

Anónimo disse...

Não tendo "tudo"tive tudo o que uma criança precisa para ser feliz.Com os anos fui vendo que ninguém é sempre feliz.Sou assim,só no fim da tempestade,quando já tudo acalmou eu caio .Apesar de tudo,fica sempre força para o que vem a seguir!
A si desejo que tenha Força e a serenidade que precisa!Rodei-se de coisas boas ,que lhe façam bem,do que realmente importa.
O Manuel é um menino (bébé) muito querido!
Abraço
Conceição