sexta-feira, março 24, 2017

viver sem créditos ou viver com menos

(tema desagradável para um blog eu sei, ainda por cima numa sexta feira, mas tenham paciência)

Admiro cada vez mais as pessoas que decidiram "voltar ao passado", ao tempo em que o dinheiro que tinham era aquele, e era com aquele que se governavam. Não podiam ter casa própria, alugavam. Não podiam comprar um carro novo, andavam de transportes públicos, juntavam dinheiro e assim que possível lá compravam um carro embora modesto. 
Não é fácil voltar atrás mas é preciso quando a vida não tem melhoras, e não há nada que pague deitar a cabeça na almofada e dormir descansado. O dinheiro pode ser pouco mas pode-se contar com ele, sem medo do aproximar do dia X em que vai cair a prestação Y.
É esta ansiedade, este stress da vida de hoje que mata, que cansa, que dá cabo da cabeça a milhares de portugueses, que tira anos e qualidade de vida. É preciso não ter medo de mudar de vida, é preciso voltar a viver com o que temos, para voltar a ter tranquilidade. Eu tenho muita admiração por quem consegue voltar a viver com menos, e assim viver feliz!

(na verdade, as coisas são só coisas que podemos um dia voltar a ter,(quando voltarmos a poder), o importante é viver com tranquilidade)

Bom dia


Maggie

9 comentários:

marina maia disse...

Maggie este tema chegou a ser tema de conversa entre mim e algumas amigas, há uns anos atrás em que eu tinha mais poder de compra, eu ia escrever em que a minha vida era melhor, mas emendei a tempo, todos me incentivavam a mudar de casa, comprar uma vivenda e eu cheguei a ter discussões com o meu marido sobre o assunto, mas ele sempre foi assim só comprava quando tinha dinheiro e nós ja tínhamos o nosso andar pago, para outra compra significava novo empréstimo ate ao fim dos nossos dias. Ele tinha muito receio. Acabei por concordar, a vida deu uma volta de 360 graus, ele ficou desempregado contra tudo o que estava previsto a Opel Portugal foi embora do pais, dois anos depois a empresa onde trabalhava ficou na falência. Ora a casa estava paga, os carros também seriam apenas as despesas fixas e não foi fácil, tinha o João a estudar. Agora imagina com uma renda de casa? Neste momento o meu marido ganha um terço do que ganhava ha dez anos e eu eu metade, agora estou de baixa, só podemos viver exactamente com o que entra mensalmente. Se sou mais infeliz? Não. Habituei-me a viver com menos e especialmente sem créditos, mas valorizo cada tostãozinho. Mas não deixo de admirar quem se aventura.

Anónimo disse...

ah, ah, ah, ah, ah, ah, ah, ah, ah, ah, ah, ah, ah, ....
é tão fácil falar de barriga cheia, não é?
grande hipocrisia.

Maggie F. disse...

Cara anônima das 12:20, não percebi o seu comentário. Não concorda que é de louvar quem consegue voltar a viver só com o que realmente têm? Ou acha que se devem perpetuar os créditos mesmo que já custe horrores continuar a pagá-los? Tenho uma pessoa muito próxima que fez esta opção é mesmo que lhe custe (ninguém gosta de voltar atrás) está bem com a opção que fez!
Beijinho

marina maia disse...

A anónima das 12:20 acha que é hipocrisia viver com o que se tem, sem créditos? hipocrisia é viver com aquilo que não se possui, é fazer férias quando ainda nem sequer as pagou e nem sabe se as vai pagar, hipocrisia não é pagar o que se deve, arranjar mais dinheiro e so depois voltar a comprar, sim pode-se ser feliz, não somos obrigados a viver com cartão de credito,nem a ser feliz por isso...a sério não entendo esta gentinha que gosta de viver de fachada...

AL disse...

Maggie,

acho de louvar quem vive com o que tem.
Eu precisei de crédito para a casa. Vivo num t3 e na altura em que casei a renda dum t1 era superior ao valor da prestação do t3.
Um t1 era na altura mais 200 euros que a prestação. O mercado de arrendamento infelizmente não existe.
A vida não é a preto e branco, tem vários gradientes.
Quanto ao carro comprámos por empréstimo pois as poupanças que tínhamos não davam para comprar a pronto e optámos por guardá-las para um azar.
Entretanto o carrito está mais que pago, mas já tem 10 anitos e temos de pensar no próximo porque o do marido é ainda mais velhote e começa a dar gastos, mas agora e porque a vida o permite já poderá (se não houver nenhum azar) ser a pronto.

Mas acreditas mesmo que quem tem uma renda de 500/600 euros para uma casa não vive com o coração nas mãos a pensar que chega o dia de S. Senhorio e possa não haver dinheiro?
E os transportes públicos...
Há 13 anos quando vim para cá decidi continuar a andar de autocarro como fazia aí.
E percebi rapidamente que para fazer 4.5km levava 45m e tinha de fazer transbordo entre 2 autocarros.
4.5km 45m, nos dias em que estava bom tempo e a saúde me permitia fazia a pé o regresso a casa e levava 40m...
E pagava já na altura 23 euros de passe, não sei quanto está agora.
Há 8 anos com a subida vertiginosa do combustível andei a fazer cálculos quando seria mais vantajoso andar de transportes do que de carro, e sabes o que deu? Quando o gasóleo chegar aos 2 euros o litro, compensará mais o passe de 2009...sim, não sei a quanto terá de chegar o gasóleo para justificar o passe actual.

A Helena tem quase 5 anos, já paga o passe de um adulto, sabias? O que pelas minhas contas volta a ser vantajoso os transportes quando o gasóleo estiver...a 4 euros...

É de admirar quem consegue viver com menos, mas os exemplos que apontaste não são os melhores.
Não existe verdadeiro mercado de arrendamento e os transportes públicos estão pela hora da morte, não servem os horários de quem trabalha e quem deles precisa está tramado.

Eu sempre andei de transportes, há 13 anos pagava 90 euros de passes. 90 euros para poder ir trabalhar, levava 1h45m em cada sentido, no entanto por não ter uma casa às costas, não ter filhos o tempo e dinheiro despendidos compensavam. Hoje seria missão impossível.

A menos que na tua equação de viver com menos haja um parâmetro que seja viver sem filhos a tua lógica está muito condicionada.

Concordo a 100% com o teu viver com menos se me falas de roupa, de modas que chegam e desaparecem no mesmo dia, se me falas de futilidades de querer parecer mais rico que o outro, se for para dar nas vistas.

Quando se fala de coisas básicas para as quais a maioria não tem alternativa é impossível concordar.

Maggie F. disse...

Não falo de casos como o teu que tens como ir pagando os créditos, porque trabalhas felizmente, falo de casos em que já sem fontes de rendimento é impossível continuar a pagar as prestações. Entregar o que se tem para ver se livre de preocupações maiores parece me de louvar do isso. Obviamente que créditos habitação quase todos temos e muitos têm crédito de carro também, fantástico quando se pode pagar, o pior é quando se deixa de poder. O ter que encarar a realidade mas o preferir viver com menos mas sem preocupações de maior desfazendo se do que existe para se livrar dos créditos sim, acho de uma grande coragem! Beijinho Angelica.

VerdezOlhos disse...

Acho que é um verdadeiro desafio e um processo que dá trabalho e leva tempo mas que só assim se pode viver. Não que uma pessoa não possa pedir um empréstimo para uma determinada coisa mas deve ser UM e deve ser para uma determinada coisa que seja muito importante para a pessoa, ponderadas todas as condições e circunstâncias.
Infelizmente ainda são poucas as pessoas que, mesmo em grande aperto, têm a coragem (como dizes, e a meu ver bem) de fazer o que tem de ser feito. É o que tem de ser feito, quando não há condições para manter prestações. Acho verdadeiro suicídio é quando se insiste em manter as coisas quando elas são insustentáveis.
Beijinhos

VerdezOlhos disse...

Mariana Maia, se me permite, OBRIGADA pelo seu testemunho. Realmente é tudo uma questão de disciplina e se nos habituarmos a gerir as coisas de acordo com as nossas possibilidades, tudo se torna mais fácil e simples.
A educação que os meus pais me passaram foi a visão que o seu marido tem e eu agradeço muito que assim tenha sido porque é o que a mim faz sentido. Antever o que pode vir e jogar pelo seguro nunca fez mal a ninguém.

VerdezOlhos disse...

AL, realmente é muito complicado quando temos condicionalismos básicos como os transportes e a habitação. Tem toda a razão: os transportes nem sempre compensam e muitas vezes o arrendamento é "para ricos". Cada caso é um caso e cada situação tem de ser avaliada de acordo com a sua envolvência.