sexta-feira, abril 07, 2017

das dores dos outros

Está um dia lindo de sol e vai estar calor. É sexta feira, o dia em que todos estão de bom humor porque apesar das carreiras estrondosas e de se sentirem todos muito realizados profissionalmente, cof cof, o fim de semana está aí e todos querem encher as praias.
Num dia lindo como hoje podia vir partilhar uns vestidinhos que tenho debaixo de olho, ou uns tenis novos que comprei ontem, mas não. A partilha de hoje é mais pesada porque a vida nem sempre é leve. Hoje venho contar que fui ao Instituto Português de Oncologia um dia desta semana. Nunca lá tinha entrado, confesso que imaginava um sitio muito velho, muito triste e demasiado pesado, memórias de uma miúda que teve uma tia que morreu com um tumor na cabeça, quando ter um cancro ainda era uma coisa pouco falada, na verdade até parecia que se falava baixinho a ver se o bicho não ouvia … Fiquei aliviada, o sitio é menos mau, menos rígido, menos escuro e menos triste do que aquilo que eu tinha na ideia. Assim à primeira vista é um hospital comum, o que me fez olhar duas vezes foram as crianças. Salas de espera com brinquedos e com meninos calados, meninos que não se queixam, meninos que não brincam, meninos que não sorriem, que dor. Há um parque infantil dentro da Instituição para os meninos que lá são seguidos, mas esses não brincam, ou pouco brincam. Doeu-me, doeu-me tanto que continuo com algumas caras quase sem expressão na minha cabeça. 

Tenham uma boa sexta feira, vão lá aproveitar o sol!



Maggie

4 comentários:

patricia disse...

O meu pai esteve internado ai no IPO e ai faleceu :( mas foi tratado maravilhosamente, o quarto era cheio de luz e as pessoas muito afáveis.
Tal como um hospital dito normal não é agradável de ir... pela dor que acarreta mas tem de ser...mas a palavra cancro ainda assusta e muito, depois do meu pai... 6 meses depois atacou a minha mae... mas desta vez correu bem felizmente

Catarina disse...

Infelizmente também conheço o IPO.
A minha mãe esteve lá internada 3 meses, com leucemia , e agora continua a ir aos controles bi-mensais.
Não me esqueço do primeiro impacto, quando entrei de ambulância com ela…não se consegue entrar pela primeira vez naquele hospital sem, inevitavelmente, sermos inundados por um sentimento imenso de tristeza.
Encontrei pessoas verdadeiramente fantásticas, são realmente profissionais no verdadeiro sentido da palavra. Desde o médico à empregada de limpeza, são todos extraordinários, nunca tive uma má experiência, sempre muito afáveis, carinhosos, pacientes.
Também fiquei agradavelmente surpreendida com as instalações, mais confortáveis do que imaginava.. O quarto da minha mãe também era cheio de luz, cada cama com a sua TV.
Lembro-me de pensar que era uma sorte o serviço onde a minha mãe estava ser longe da pediatria. Sou mãe e sabia que iria ser um choque encontrar ali as crianças que infelizmente sofrem com esta maldita doença.
Claro que um dia me cruzei com uma delas… pensei no que aqueles pais, aquela criança e aquelas famílias estariam a viver. A doença oncológica é terrível, mas numa criança…é devastador.
Continuei, ao longo destes 2 anos, a cruzar-me com crianças quando lá vou. Sinto sempre o mesmo…
Felizmente a minha mãe está bem, contra todas as probabilidades e expetativas médicas. É uma lutadora, tal como todos os doentes oncológicos são.
Força Maggie, acompanhar uma pessoa querida na sua jornada de luta contra a doença é muito duro, muito duro mesmo. Mas há que ter esperança, há muitos finais felizes. Um beijinho 

Vidas da Nossa Vida disse...

Tenho lá neste momento internada em isolamento uma querida amiga e a sua filha mais nova, quase a fazer 3 anos, a quem em Setembro foi diagnosticado um tumor horrível e dos mais agressivos... Dói mesmo na alma!

Maria do Mundo disse...

Uma das minhas melhores amigas de infância trabalha lá. Nunca lá fui, mas sei que fazem tudo para tornar o ambiente menos pesado. Quanto aos meninos, nem quero pensar!