domingo, março 25, 2018

a proposito da reportagem da TVI, sobre as mães interrompidas ...

A unica coisa que me vem à ideia é a de uma família que vivia num prédio ao lado do meu. Pai, mãe e três filhos. Um rapaz e duas miúdas que eram o terror lá da rua. Coitadas, hoje percebo que era uma defesa que tinham. A mãe nunca a vi, falava-se que estava numa cama muito doente, o pai um senhor gorducho que se embebedava todos os finais de tarde, não sei se era quando chegava a casa do trabalho, nem sei se trabalhava mas aquela gritaria era sempre ao final da tarde. 
Eu vivia com os meus pais numa rua de prédios todos colados uns aos outros e as traseiras eram fechadas, olhava para baixo e via os quintais de todos os vizinhos, e naquele rés do chão aquela familia que assustava. Ele fazia questão de vir para o seu quintal gritar com uma garrafa de vinho na mão, não sei o que dizia mas lembro-me que assustava. Tinha pena dos miúdos. Nunca foram retirados, viveram ali até serem despejados pela senhoria. Aquilo era uma vergonha que se passava ali, e nunca ninguém fez nada. Naquele tempo ninguém fazia nada. Felizmente as coisas mudaram!

Boa tarde 


Maggie

3 comentários:

Maria do Mundo disse...

Maggie!!!! Estou de pé a aplaudir-te!!! É muito fácil falar e fazer reportagens sensacionalistas! Só me apetecia escrever um testamento sobre o assunto. Mas não posso! Haja pessoas lúcidas como tu!

Xica Maria disse...

Ainda bem que hoje as coisas são diferentes mas ainda há muitas historias iguais a essas por ai...

Anónimo disse...

Trabalhei alguns anos como técnica numa casa de acolhimento e o que a reportagem mostra é verdade a institucionalização de crianças é um negócio que lesa o Estado mas sobretudo as crianças. Felizmente alguém teve a coragem de falar no assunto. Estagiei num país estrangeiro que privilegia as famílias de acolhimento para casos de abuso graves, toxicodependência, alcoolismo ou anomalias psiquiátricas dos pais, em casos de pobreza ou desestruturação emocional os apoios são dados directamente às famílias de forma a manter as crianças dentro do seu ambiente familiar. Em Portugal quando uma criança sai da instituição, esta procura avidamente preencher o lugar para manter o rendimento. A lógica do dinheiro sobrepõe-se à dos direitos das crianças.