quinta-feira, outubro 18, 2018

9 dias sem ele


Aqui pintado por um grande amigo, daqueles grandes amigos que só estão lá para os bons momentos, daqueles grandes amigos que nunca arranjaram uns minutos para ir visitar o amigo doente. O cancro não se pega. O meu pai esteve internado quase um mês e ele não arranjou tempo para lá passar, isto sim, estas e outras coisas do género magoam me mais do que ele ter partido propriamente. Ele ter-se apercebido disto, também magoa. Quando me perguntam como estou, eu respondo que estou bem e estou, mas incomodam-me estas merdas. Acabou o sofrimento dele e o nosso, e isso dá me paz e tranquilidade. Sinto calma, e alivio. Mas continuo a não aceitar a hipocrisia de aparecerem nos funerais como se tivessem estado lá sempre a apoiar. Que sentido faz aparecer no funeral se não se esteve lá em vida? Enfim, desonestidades.

O meu pai já cá não está, encerrou-se mais um capitulo e a vida segue. Não é fácil mas segue.

Bom dia


Maggie

das coisas estranhas para nós que temos outros costumes

Em minha defesa tenho a dizer que é impossível não olhar para casas destas, eu que adoro casas e decoração, é impossível. É cada uma mais maravilhosa do que a outra.

Aqui não se usam estores nas janelas, há casas que têm portadas mas que nunca as fecham, talvez em dias de tempestade daquelas que metem medo ao diabo, não sei. Por enquanto as portadas estão sempre abertas. Nos andares de cima das casas usam-se cortinados para resguardar a privacidade, acho eu, que a minha empregada acha que não, que é apenas por causa da luz da manhã, para conseguirem dormir mais um bocadinho. Não é que tenha mal é só estranho mas é uma questão de hábito. Nós optámos por colocar cortinas só nas janelas que dão para o parque, as que dão para as traseiras não precisam, não passa ninguém. Cada um respeita o seu espaço e não vai para o espaço dos outros, o que seria até fácil e compreensível  já que os espaços não estão fisicamente delimitados, agora até me lembrei de há uns anos quando os meus pais mudaram para um apartamento perto da minha casa com um lugar de parque na garagem. O lugar era ocupado abusivamente por um vizinho que tinha mais carros do que lugares, foi preciso colocar um papel a avisar que a casa já estava habitada, que tinha sido vendida e que agradecíamos que tirasse de lá a viatura ;) 
Adiante, nos andares de baixo não há cortinas nas janelas, coisa que se repara quando se chega a casa já de noite e ao passar nas ruas de carro vê-se tudo para dentro das casas. Crianças a brincar, adultos na cozinha a preparar jantares, adultos nas salas, tv's ligadas, ... é estranho para nós que chega ali a uma certa hora e fechamos os cortinados. Aqui as casas têm janelas grandes e várias janelas, o que com as luzes de dentro ligadas, é fácil perceber toda a dinâmica da casa. Ontem até reparei uma casa que tinha a porta de entrada toda aberta para trás e só a porta de vidro estava fechada. Era ver as pessoas a subir as escadas e a carregar mochilas e casacos para cima. Na verdade, não se vê pessoas na rua a passear o cão e a olhar para dentro das casas, aqui a privacidade é uma coisa que se respeita muito, aqui não parece haver interesse na vida do outro, o que é bom, claro. Ainda assim é estranho, estar a ver as filhas da vizinha a chegar a casa, a irem direitas ao frigorífico, a mãe a preparar as lancheiras para a escola ... 
Eu que adoro estas casas e passo os dias a escolher a mais bonita, o meu top10 muda a toda a hora, apercebi-me disto do se ver tudo lá para dentro mas acho que mais ninguém repara. As pessoas vão na sua vida, muitas a correr a fazer exercício, quem tem cão vai passear para o parque e não no meio das casas, os miúdos de bicicleta , também há ruas privativas onde só entra quem lá mora ... 


Bom dia


Maggie

quarta-feira, outubro 17, 2018

milhas e milhas de floresta densa ...

Por aqui vegetação não falta. Vamos de carro em estradas que rasgam a floresta, em muitas destas estradas nem entra quase a luz do dia muito menos o sol, de tão densa que é a área. São horas a andar de carro onde só temos floresta à direita e floresta à esquerda, não se vê nada ardido. Estranho, talvez seja por causa do nível de humidade da zona ou então a lei para quem ateia fogos é bastante dura e implacável. Ou talvez ainda ninguém se tenha lembrado de atear o fogo numa zona florestal qualquer, e há casas no meio da floresta, como no meu país! 
Há Pinheiros, Sequoias, Acácias, ... mas ainda não vi os Eucaliptos.

Bom dia


Maggie


terça-feira, outubro 16, 2018

não me chamo Alice nem não vivo na país das maravilhas

mas vivo num país de gente aberta e mais esperta. 
No sábado passámos numa feira/festa de Halloween de uma elementary school aqui na zona, (daqui a dois fins de semana haverá outro evento do género numa outra escola ainda mais perto de casa). Era um evento aberto a toda a comunidade, num sábado. Um evento divertido, para todas as idades e super bem organizado. Não sei bem qual seria o objetivo deste evento, onde pais, professores e alunos estavam unidos por brincadeiras, jogos, petiscos para comer, barraquinha de karaoke, barraquinha de algodão doce, labirintos feitos com fardos de palha e barraquinhas de ler a sina, ... Provavelmente seria para angariar dinheiro para a escola ou para alguma causa em especifico e se foi isso, foram bem sucedidos. Abrir a escola à comunidade é o mínimo a fazer quando a escola é do Estado e é de todos, quando queremos que os futuros pais conheçam a escola e os professores, e pensem um dia colocar lá os filhos. 
É preciso confiar na escola nem que para isso seja preciso abrir as portas. Se este evento tivesse sido organizado num dia de semana ás 17h e apenas para a comunidade escolar, como os eventos escolares que se fazem no meu país, o resultado monetário seria mínimo. Além de que seriam sempre eventos fechados, sempre muito apagados e sempre pequeninos. 
Quero acreditar que um dia será diferente, na verdade não há razão para minimizar as coisas bonitas que se podem fazer, e caramba trabalhar um sábado não é o fim do mundo!

No domingo falhámos o open day no quartel de bombeiros, que também segundo me disseram é bem giro: os carros são colocados cá fora, expostos à curiosidade de todos, e as crianças são convidadas a visitar o quartel e os carros. Há até um desfile destes carros de salvamento. Fica para a próxima, não faltarão oportunidades, Manuel, a mãe promete. 
( o Manuel adora carros de bombeiros, ambulancias e carros de policia)

Bom dia


Maggie

enquanto espero pelo fim da aula de inglês!






Do final da tarde, dos passeios com o Manuel, (este miúdo adora andar a pé), do apreciar a floresta e da estação do ano mais triste, que é o Outono. 
Por aqui a paisagem é a das histórias dos livros infantis de antigamente. Imensas árvores enormes e altas, com a folhagem a passar a vermelho, algumas já sem folhas, as bagas vermelhas nos ramos ... Os cogumelos aparecem de várias cores, tamanhos e feitios e crescem no meio dos jardins e da relva acabada de cortar há 2 dias. Há musgo, muito musgo, tanto que cresce até no alcatrão à beira da estrada, depois de se espalhar pelas pedras e pequenas rochas da paisagem.
Há esquilos, milhares deles, o chão cheio de bolotas, de algumas já só reconhecemos as cascas. Ouvem-se os pássaros, fazem muito barulho no cimo de uma árvore e é difícil perceber em qual estão pousados mas de repente levantam voo, são tantos ... 
Não há ninguém na rua. Passa uma pessoa ou duas em 30 minutos que passeio a pé por ali, passam a correr, o desporto aqui está na moda. Passa também um carro ou dois. Há silencio e muitas folhas espalhadas pelo chão. 
O meu marido avista lebres, ás vezes à noite atravessam-se na estrada, eu ainda não consegui ver nenhuma. E veados, há veados a rondar as casas metidas mais para dentro da vegetação densa.
Eu que não adoro a natureza estou em modo encantada com uma beleza que nunca tinha visto, um dia este encantamento passa-me mas vai demorar!

E as casinhas para passarinhos penduradas nas árvores? um amor.

Boa noite


Maggie