domingo, fevereiro 17, 2019

larguei as miúdas um bocadinho à sorte

Na altura não pensei muito nisso. Era urgente, havia tanta coisa para tratar e havia pouco ou nenhum tempo para algum tipo de preparação. Era preciso avançar rápido e por isso a escolha pareceu-me óbvia: tiro-as de um colégio português pacato, perto do mar, excelente ambiente, onde elas adoram estar e têm imensos amigos e largo-as numa escola publica americana, elas que nem falam inglês e ... elas nem eram propriamente boas alunas a inglês. Não deu para mais, não houve tempo para organizar melhor. Um dia destes caiu-me a ficha e dei por mim a pensar nisto. Por acaso a coisa correu bem, tão bem que a Maria tem a mochila feita desde sexta feira para regressar à escola depois destes dias de férias, e a escola só recomeça na terça feira. 
A coisa correu bem, está a correr bem. Sou uma pessoa de sorte caramba. Está bem que a coisa pareceu-me controlada: a zona onde moramos é calma e sossegada, a escola é uma escola pública com tiques de privada, os miúdos são todos das redondezas mas isso não garantia tudo. Foi sorte e foi talvez a educação que lhes dei. São gente de poucas amarras, como nós pais. 
Aplico sempre aquela máxima de que os meus filhos não são meus, são do mundo, porque é aquilo em que acredito. E na verdade quem me segue há anos aqui no blog sabe, porque eu sempre o disse, que era isto que queria para as minhas filhas: dar-lhes mundo. Depois o que um dia farão com ele já não posso assegurar mas fico descansada porque sei que fiz a minha parte, e elas agora estão a fazer a delas. 
Força filhas, muito muito orgulho na forma como encararam e continuam a encarar a nova vida!

Bom resto de domingo


Maggie

sábado, fevereiro 16, 2019

nós portugueses somos gente cinzenta ...

Vivemos numa zona com pouquíssimos portugueses e por isso raramente ouvimos alguém falar em português, mas hoje no T.G.Max reparei numas senhoras mais velhas atrás de nós na fila para pagar que falavam em português. E mal perceberam que também nós falávamos em português meteram conversa. Eu não sou muito de falar com quem não conheço, as minhas filhas pior ainda, salva se o meu marido ;) São de Vila Real e tinham malas de viagem para pagar. Se calhar vão a Portugal no Verão ... Também não fico especialmente feliz por encontrar portugueses por aqui. Não sei explicar mas toda a conversa demasiado cinzenta para o meu gosto, não me senti confortável. As perguntas delas, o semblante desiludido quando dissemos que sim que estávamos a gostar de cá estar, via se claramente que elas não. Provavelmente também nunca quiseram vir para cá. entendo perfeitamente que os emigrantes que vieram há 2 ou 3 décadas não tiveram grande escolha, vieram mesmo para ter uma vida melhor e sempre sonharam regressar à terra mas o ar pesaroso, só faltavam os lenços negros nas cabeças ... não gosto. Fiquei quase a sentir-me culpada por gostar de cá estar. Estranho. 
Nós portugueses somos tristes, parece que carregamos todas as dores. O olhar delas só me lembrou as mulheres portuguesas da serie "xailes negros", aquela serie açoreana. Somos cinzentos, parecemos viuvas tristes. Não gosto, não me identifico. Não nos está no sangue a alegria como a têm os espanhóis de facto. E o facto de estarem fora do seu país e de encontrarem outros acentua a sua natureza e os seus sentimentos de saudade e de querer voltar. Percebo-as são mais velhas do que eu, são de outra geração, de um tempo em que ser obrigado a deixar o pais para procurar uma vida lá fora era muito duro. Percebo-as e talvez por também ser um bocadinho assim, sou portuguesa como elas, não gosto de encontrar portugueses por aqui, lembra-me o cinzento, e eu gosto de um mundo ás cores. Ás vezes por dentro também estou negra mas faço um esforço do caraças para afastar essa neblina portuguesa me mim. Sou portuguesa mas sou colorida, adoro viver!

(há uma diferença imensa entre os portugueses que vinham para cá há 20, 30 anos e os que começaram a vir há poucos anos, são pessoas diferentes com atitudes diferentes)

Boa tarde


Maggie

sexta-feira, fevereiro 15, 2019

deve estar algum santo para cair do altar

Ainda todos dormem, estão vivos que já fui verificar, ahhh o silencio é de oiro. ;)
(aqui 10:26 am)


Maggie

esta loja mesmo com neve à porta lembra o Verão





da nossa loja favorita (os preços são puxados mas as peças são muito giras)



Maggie

uma mãe faz bulling? parece que sim, que é possível ;)

Ontem tive que entrar com o Manuel no CVS, vinda do pediatra tinha coisas para comprar, não tive alternativa. O miúdo que só lá entrou umas duas vezes já conhece os cantos à casa e foi direitinho ao corredor dos carros. Bem, cada carro $5,99, ora estando o miúdo doente até já tinha pensado para mim, compro-lhe 2 carros e siga. Só que não, Manuel começa a pegar nos carros todos que consegue levar nas mãos e começa a ir no sentindo das caixas, para pagar. Que não dizia lhe eu, que podia levar 2 carros, para escolher dois. Manuel dizia que não, que queria 9 carros. Não sei porquê 9 mas 2 não lhe chegavam. Pus em pratica aquela coisa da moda das mães explicarem tudo que a criança obedece porque entende, e expliquei a situação várias vezes. Disse que não podíamos levar 9 carros, que podia escolher 2 mas que os 9 a mãe não tinha dinheiro. Não funcionou a técnica. Ele entendeu mas não quis saber, continuava agarrado aos carros. Alguém conhece alguma criança de 3 anos que seja solidária com a mãe e acate a decisão? Claro que o Manuel não quis os 2 carros, insistia nos 9 carros. peguei nele aos berros e saí porta fora. Como já antevia a cena já tinha pago os remédios na caixa exclusiva da farmácia, estava despachada e descansada. Dei uma nota à Maria para pagar umas chuchas e ficámos cá fora à espera dela, não sem antes uma senhora velhota que tinha assistido à cena dizer que eu tinha feito bulling à criança. Pois, e eu devia ter voltado atrás e ter perguntado à senhora se por acaso se oferecia para comprar os 9 carros para o Manuel. Se acha que isso seria o certo. Se acha razoável comprar 9 carros porque a criança está a fazer uma birra. Bem sei que aqui as crianças não fazem birras, e a senhora estranhou. Se lhe tenho dado uma palmada no rabo não sei ...
Enfim ... paciência. Haja muita paciência para a terceira idade que já se esqueceu como é que se educam as crianças. Felicidades para a senhora, vá que eu não tenho mau fundo e gosto de velhotes.



Maggie