segunda-feira, dezembro 10, 2018

está frio, está mesmo frio!


Aqui não dá para andar de qualquer maneira porque aqui o Inverno ainda não chegou mas o Outono já nos prepara para o que aí vem. Aqui os dias são frios, hoje logo de manhã estavam -4ºC mas a sensação térmica era de -9ºC, vá que os dias são quase todos de sol e céu azul, lindos, mas não dá para andar sem roupa apropriada, é um gelo que não se aguenta. E pior, a mim custa-me bastante agasalhar-me como deve ser porque a casa está quentinha e por isso fica complicado perceber bem o gelo que está até andar uns 10 minutos na rua. Assim sendo ficam aqui umas coisas bem giras: 









Bom dia


Maggie

sexta-feira, dezembro 07, 2018

porque há dores muito maiores que as minhas ...



e porque não ajudámos o Banco Alimentar na última recolha de alimentos, porque não adiro nunca aos Anjinhos de Natal, porque também não contribuímos para a Fundação do Ronald nesta última campanha, porque não vamos contribuir com alimentos diretamente para a paróquia, nem para as escolas entregarem na paróquia, nem contribuímos para o Dia do Animal, e nem mais umas quantas contribuições que todos costumamos fazer, ... escolhi ajudar a mãe Lucia, este Natal. Porque há dores que não têm tamanho de tão grandes que são, porque há dores que não sei como se suportam e porque a vida tem que continuar mesmo que as dores sejam insuportáveis. 
Mais um bocadinho Lucia, tens sido tão grande, coragem e força não te faltam. 
Que consigas sempre que nada falhe ao teu menino, e quando for preciso pedir, pede. 

Um feliz Natal desta vez em especial, à família da Lucia e do Ivo.


Maggie

quinta-feira, dezembro 06, 2018

christmastime, também é tempo de reflexão


Eu sei que por toda a blogosfera é tempo de partilhar os casacos mais giros e os melhores perfumes. Sei que anda meio mundo preocupado com o que oferecer à filha da vizinha. Percebo. Eu também adoro compras e oferecer tudo aos outros mas eu não sou só isso. E para mim este tempo também de reflexão e de exames de consciência, não são fáceis mas não fujo deles. 
Eu sei que não interessa aos outros o que eu quero ou penso, felizmente está tudo mais interessado no que fazer para a ceia de Natal, ótimo. Cada um com as suas preocupações, são todas legitimas. Para mim estes dias até ao Natal são quase de calvário. Doí-me não ter os meus e faço das tripas coração para estar minimamente feliz para estes meus, que cá estão comigo todos os dias. Também merecem o meu sorriso e a minha alegria. 
Ontem entrei aqui, nesta igreja, ia á procura de conforto, de paz e de me encontrar. Fartei-me de chorar, a verdade é essa. O meu pai era muito de acreditar em Deus e em Jesus e em todos os Santos e eu fiquei ali meio perdida e a sentir-me abandonada. Se calhar procurava um consolo não sei. Sai de lá mais calma, isso é verdade, mas senti-me tão pequenina. Lembrei-me de uma amiga que costuma dizer que Deus só dá "grandes dores" aos fortes que as podem suportar. Porra, vão se lixar com essa conversa, isso é conversa para confortar mas depois cada um vai à sua vida e a pessoa agarra-se aquelas palavras? e faz o quê com elas? não, o meu Deus não dá dramas a ninguém, o meu Deus não é mau nem gosta de ver sofrimento. Não, recuso-me a aceitar que Deus seja uma pessoa má por isso deixo-o fora da atribuição de culpas. E não, ao contrário do que diz a minha amiga D. eu não sou forte, forte é a minha irmã mais nova que foi reconhecer o corpo da minha mãe à morgue do hospital de santa maria e o corpo do meu pai á morgue do ipo de Lisboa. Não sei como consegue dormir todas as noites depois disso. Eu sou até bastante sensível e choro por qualquer coisa. Forte era um tipo que um dia me levou e ao meu pai de táxi,  e nos perguntou se era preciso entrar, eu disse que sim, que o meu pai lhe custava a andar e desatei a explicar-lhe o caminho, e ele corta-me as palavras para dizer que sabia onde eram as análises e que a ultima vez que ali tinha estado, foi com o filho já muito doente e o filho morreu-lhe nos braços. Caramba que dor tão grande, calei-me e engoli a minha dor, a dele era infinitamente maior. Ainda assim entrou, por muito que lhe tenha doido porque quis ajudar o meu pai e ainda nos desejou tudo de bom. Isto sim é uma pessoa forte, coitado, que remédio. Talvez seja por isso que não consigo ser grata e pertencer a esta onda nova que está na moda: a gratidão. Enquanto houver gente com dores nunca poderei ser grata. Felizmente e até ver todos temos saúde, que bom mas infelizmente muitos sofrem em silencio com as suas dores. Eu sei que o tempo é de festa, mas o Natal também é estarmos atentos aos outros. Cuidar e amar. Ouvir e dar a mão e infelizmente isso é cada vez mais raro. Estamos todos muito preocupados com a louça que vai com o bacalhau e a louça onde vai ser servido o cabrito; os presentes para os meninos e as lembranças quase forçadas mas que não podemos deixar de dar. Não, o Natal é tempo de amor aos outros e esse amor não se mostra nas prendas nem nas toalhas bordadas da consoada. Eu também gosto de coisas boas, quem não gosta? mas não me esqueço que há os que estão sozinhos a precisar de companhia. Infelizmente já cá não tenho os meus, mas ainda carrego este espírito de Natal que herdei e do qual me orgulho. Obrigada Pais. 

Um Feliz Natal a todos e que nunca vos falte o mais importante. 



Maggie

a vida é demasiado curta para tudo aquilo que queremos fazer

Para todos os sítios onde gostaríamos de viver, para todas as coisas que gostaríamos de ter a oportunidade de fazer. Infelizmente a vida é tão curta para fazermos todas as coisas que sonhámos, não dá tempo para tudo e andamos tão embrenhados nas nossas vidas que nos esquecemos dos sonhos que sonhámos e que jurámos ir atrás, uns bons anos antes. Isto de ser adulto é tão chato, os adultos são chatos, sempre preocupados com as contas a pagar, com os horários, com os problemas no trabalho que ás tantas já não há lugar para os sonhos. Este espaço fica invadido de pequenos nadas, de coisas que interessam pouco e o melhor de nós desaparece num ápice. Ás vezes não nos esquecemos dos sonhos mas desistimos deles, sabemos que são difíceis de alcançar, sabemos que provavelmente nunca vamos lá chegar e voltamos a ocupar-nos com as coisinhas chatas do dia a dia dos adultos. De facto quando somos mais novos somos muito mais livres e felizes, isto da idade e da maturidade só traz acomodação, ficamos resignados e calados, tudo aquilo que é contrário à nossa essência. Eu sou chata, inconformada, "reclamadora" , nunca me calo quando entendo que tenho razão e segundo as minhas filhas adoro dar as minhas palestras de filosofia de vida. Elas já fogem de mim mas um dia vão lembrar-se das muitas coisas que lhes falo. Ensinamentos para a vida, dizem elas, e têm razão. (Posso falhar redondamente com os seres que estou a criar mas guardarei a certeza de que fiz tudo o que entendi ser o melhor. ) Posso ser chata, provavelmente elas têm razão, mas é porque me recuso a ser uma adulta acomodada, sem horizontes e com os sonhos acabados ou fechados num baú para todo o sempre. Não desisto da miúda que fui um dia, das coisas que sonhava que poderia um dia fazer, recuso-me a desistir da ideia de um mundo melhor e provavelmente continuarei a massacrar os outros até um dia não conseguir mais falar. Tudo menos morrer uma adulta e triste, sem sonhos nem horizontes, resignada com uma casinha bonita com flores do lado de fora, e netinhos a correr no pátio. Essa nunca serei eu.

Bom dia


Maggie