segunda-feira, agosto 20, 2018

sou boa nisto de massacrar verbalmente os outros, ou devia ser coach ...


Chegam as duas de casa da amiga. A Maria fecha-se na casa de banho durante uns segundos. Sai e vem de lagrimas nos olhos. Não quer dizer porque chora porque sabe que sou pouco dada a perpetuar lamechices. Mas lá diz que agora só vê a M. no Natal e chora. Entro eu em acção. Percebo que desde sempre massacrei os outros com as minhas teorias até os fazer acreditar que sim, que eu tinha razão. Sempre senti que tinha o poder, através do massacre verbal, de fazer as pessoas acreditarem em mim, em fazer os outros ver a luz no fundo do túnel. Percebo que fiz isto com a minha irmã que tinha a mania das dietas em miúda, com a minha mãe para a fazer acreditar que a doença dela não tinha que a limitar, mas limitava, e faço agora com o meu pai. Ele consegue acreditar que talvez vá ficar bem. Fiz hoje com a Maria. Sou chata, massacro mesmo, não me calo enquanto não percebo bem que a pessoa entende a minha mensagem. Sou boa nisto, percebo agora, sou capaz de fazer os outros mais felizes. Sou boa nisto de fazer-los acreditar. Sou boa nisto de lhes dar uma certa tranquilidade. Mas não sou boa a aturar lamechices, a vida é para a frente e para continuar. Ficar a chorar porque só vê a amiga no Natal? percebo que nestas idades o Natal lhes pareça daqui a 40 anos mas não tenho paciência para estar a passar a mão na cabeça. A vida é assim mesmo, há pessoas que nos acompanham sempre e outras não. Não podemos deixar de viver por causa disso. A vida é para continuar, ficar parada no drama não ajuda. Se queremos que as coisas nos corram bem precisamos de lutar por elas, de nos esforçar, se vamos para lá a chorar pela amiga não damos uma oportunidade a nós e aos outros (novos) amigos. E continuei até que percebesse a sorte que tinha. Uma experiência para a vida dela que vai ser determinante no seu futuro como pessoa e como estudante ou profissional. Eu também já tive 12 anos mas resolvia dentro de mim os meus dramas, aprendi por mim a pensar bem e a ver a situação por outros prismas. Ainda hoje sou assim. É por isto que gosto pouco ou nada de despedidas e é por isto que o tempo aqui está a esgotar-se. Esta era uma situação ultrapassada, este drama dos amigos já tinha ficado lá atrás mas como nunca mais apanhamos o avião para seguir o caminho, começam os retrocessos. O tempo está a esgotar-se, precisamos de nos reorganizar. Elas precisam muito de se sentir de algum lado e eu também!

Boa noite


Maggie

domingo, agosto 19, 2018

esta noite eu tinha planos ...


O meu marido foi jantar com uns amigos, para a despedida , (infelizmente o meu jantar de amigas já foi), e as miúdas foram jantar a casa de uma amiga, (como também é para a despedida só voltam por volta das 23h). Fico eu e o Manuel. Primeiro penso em passar roupa a ferro mas rapidamente adio a tarefa e passo ao plano seguinte: vou mas é lá para fora aproveitar o fresquinho da noite e o silencio, ... e era um bom plano se o Manuel dormisse, mas não dorme. Acordou ás 8:30, não dormiu a sesta e não me parece que adormeça tão cedo, pode ser que esteja enganada, mas estava mesmo cheia de vontade de aproveitar as últimas noites frescas no jardim, tenho aproveitado quase todos os dias  ...


Boa noite


Maggie

sábado, agosto 18, 2018

as minhas prioridades

Depois de tudo orientado e instalado, depois de estarem todos encaminhados nas suas vidas, entram em cena as minhas prioridades: Uma escola de línguas para mim, um Day Care para o Manuel e a Zara, a 10 minutos de carro a partir de casa, boa!! Obrigada ao google maps e a mapquest, pela orientação geográfica. De notar que sou pouco fã da Zara mas dadas as circunstancias e as opções disponíveis pode vir a dar muito jeito ;)


Até mais logo, (vou continuar a estudar a zona)


Maggie

sexta-feira, agosto 17, 2018

os dias não passam

Na verdade passam mas parecem passar muito devagarinho. Deve ser da ansiedade, do imaginar lá tanta coisa para fazer e tratar, e nós ainda aqui, sem adiantar muito. Tudo o que é para ir está separado. É chata esta fase do ir organizando a ida mas ao mesmo tempo ter que manter a normalidade. A casa a funcionar como se não fossemos para lado nenhum. É uma seca. Não estamos num sitio nem estamos no outro. Já não apetece fazer grande coisa por cá! Por mim já lá estava ;)
Já se fez a festa de despedida dos amigos (delas), e continuamos com a casa cheia todos os dias. E quando não vêm para cá, vão elas para casas de amigos, jantar fora ou dormir. Nunca mais voltamos à escola e ao trabalho, estou a precisar de rotinas. Eu e eles. Estou a precisar de ver as coisas a encaixar. Tenho saudades da minha liberdade, sim que isto de ser mãe cansa. Aliás, cansa muito quando somos mães todos os dias e a toda a hora. 
Este ano o regresso ás aulas passa-me ao lado. Ainda hoje no Continente fui namorar o material escolar mas não trouxe nada, diz a pessoa da transportadora que já temos toneladas para mandar. Não posso colocar nem mais um lápis, hihihihi

Até logo



Maggie

terça-feira, agosto 14, 2018

na verdade somos sempre os mesmos


Quando eu era uma miúda de 16 anos fui com a minha grande amiga T. passar os 15 dias das férias da Páscoa a casa da avó dela, que vivia algures no Ribatejo. Nós as duas sozinhas, entrámos no comboio em Santa Apolónia rumo á liberdade. Foram meses a sonhar com aquilo, o que iriamos lá fazer, os amigos que ela lá tinha, os bares à noite para ir beber um copo, e eu lá era miuda de beber copos, não era nem nunca fui mas isso não me impediu de ir. Já nessa altura gostava do verbo ir e nem sabia, vejo isso agora. Não sei já como, mas convencemos as nossas mães e ainda me lembro de chegar à estação e de comprar o bilhete com a minha mãe ao lado e de entrar no comboio. 15 dias sem ninguém , que a avó dela era um amor de senhora mas deixava-nos na nossa vida, nunca nos perguntou onde íamos, com quem  e fazer o quê?! 15 dias em que ficámos entregues a nós próprias, íamos fazer as refeições e dormir a casa. 15 dias sem telefone, fomos à cabine ligar 2 ou 3 vezes para casa, para dizer que estava tudo bem. Naquele tempo não havia telemóveis nem nada. Eu levei a minha máquina fotográfica, já na altura adorava fotografia, e já nem me lembrava disso, percebi agora quando me recordava destas férias. Reparo que já era em miúda igualzinha ao que sou hoje: gosto de liberdade, não gosto de dar explicações, sei porta-me bem e não arranjar problemas! (Obrigada Pai e obrigada Mãe, espero um dia fazer um trabalho tão bom com os miúdos como vocês fizeram connosco!)
Foram 15 dias à deriva, 15 dias de brincadeira e 15 dias que nunca esqueci. Fui tão feliz ali. Lembro-me que os meus pais sempre me deram liberdade q.b., nunca foram de perguntar muito, lembro-me de  voltar ao fim de 15 dias, chorávamos as duas no comboio de volta a Lisboa. A minha mãe não pediu relatório detalhado, só queria saber se tinhamos gostado e se nos tinhamos portado bem. Durante meses ainda circularam cartas para a frente e para trás com os amigos que deixámos lá. Percebo agora, olhando para trás que a minha vontade de ir já la estava aos 16 anos, eu é que não percebi. Se calhar devia ter viajado de mochila ás costas quando era nova, se calhar tinha espirito para isso, e nunca percebi. Quando surgiu a hipótese de ir agora para o outro lado do Oceano nem pestanejei, voltei a ser aquela miúda de 16 anos, feliz e curiosa. Não quero voltar atrás no tempo mas é verdade que quero voltar a encontrar a Margarida daquela altura e refazer o percurso. Tive uns desvios, foram anos parada mas a essência está lá, sempre esteve. Quero ir, e não sei se quero voltar. Logo se vê. Quando a encontrar só quero retomar o tempo perdido e aproveitar ao máximo a experiência como aproveitei aqueles 15 dias no Ribatejo. Estou feliz, voltei a ter 16 anos e o mundo pela frente.

Beijinho


Maggie