sexta-feira, agosto 24, 2018

um até já


(ás amigas que me ligaram hoje e a quem não consegui atender o telemóvel: fiquem descansadas que li todas as mensagens e já respondi, agradeço todo o carinho e atenção, como vos disse darei noticias e lá vos aguardo, beijo)

Já aqui partilhei que não gosto de despedidas e evito ao máximo a cena triste e deprimente que pode ser uma despedida. Na verdade recuso-me a despedir-me, custa-me, doi-me e fico pouco à vontade. Pergunto-me se alguém gosta, eu não gosto. Não me lembro de alguma vez me ter despedido de alguém, talvez quando era uma miúda, acho que sim, talvez me tenha despedido de alguns amigos, mas não gosto da sensação. Despedir dá a impressão de que não nos veremos mais, e vamos ver com certeza. Não gosto das coisas em definitivo, até podemos voltar a encontrar-nos mais tarde, numa outra fase das nossas vidas. Não, não gosto das despedidas e na verdade não precisamos de nos despedir, eu estou sempre online nas redes sociais e o meu telefone funciona. Hoje não se justificam  as grandes despedidas, podemos sempre ter uma câmara e até nos vemos a falar enquanto ligamos e falamos a alguém. Não gosto da cerimónia e do peso das despedidas. Eu estou feliz caramba, não vou para a Siria, vou só rumar ali mais à esquerda por uns tempos, vou só ali ver como é, vou mas volto carregada de boas energias e quiçá ideias. Eu quero ir, não vou obrigada nem arrastada. Por favor, não quero choros nem lamentos, não sou dada a isso. Melhor, sou. Sozinha à noite, deitada na minha cama e nas noites em que o sono não vem, lembro-me das pessoas da minha vida. E nem delas me despedi, nem precisei, continuam vivas cá dentro. Lembro-me de muitas pessoas que passaram na minha vida e ás vezes choro de saudades, da falta que me fazem. Como dizia o escritor António Lobo Antunes, um dia destes numa crónica que li: "Morreu há muito pouco tempo. Foda-se. Perdoem esta palavra mas é a única que me sai. Foda-se. Quando eu era pequeno ninguém morria. Porque carga de água se morre agora, pelo simples facto de eu ter crescido? (...) 

 (...) Muito boa tarde a todos e as melhoras: é assim que se despedem no Serviço de Oncologia. Muito boa tarde a todos e até já, mesmo que seja o último abraço que damos."

É só isto!

Até já 


Maggie